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Golpes pelo Instagram e WhatsApp crescem 139% em SC: "Sentimento de frustração"

Polícia dá dicas de como evitar cair em estelionados na internet

14/05/2022 - 12h00

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Diane
Por Diane Bikel
Dados são da Secretária de Segurança Pública
Dados são da Secretária de Segurança Pública
(Foto: )

Só em 2022, mais de 4 mil pessoas foram vítimas de golpe nas redes sociais em Santa Catarina. “É um sentimento de tristeza, frustração”, resume uma das pessoas afetadas, que pediu para não ser identificada.

Neste ano, o número de estelionatos aplicados pelo Instagram e WhatsApp cresceu 139,6%. Entre janeiro e abril de 2022, 4.902 crimes deste tipo foram registrados — 2.856 a mais do que no mesmo período de 2021.

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A vítima que conversou com o Diário Catarinense explicou que viu um anúncio no Instagram de um suposto "robô" que multiplicaria dinheiro em cerca de 10 vezes - com isso, segundo a publicação enganosa, um depósito R$ 550 se transformaria em R$ 5 mil. 

Após repassar o valor, ela precisou gravar um vídeo confirmando o "sucesso" da operação, para, depois, receber o dinheiro multiplicado. No entanto, assim que enviou as imagens, foi bloqueada pelo golpista. A fraude foi feita pela conta hackeada de um amigo. 

— Não desconfiei em nenhum momento que não era ele [amigo], só depois que comecei a ficar nervosa e percebi que fui bloqueada (...) Era o único dinheiro na conta, mas quem não tá precisando de dinheiro hoje em dia, né? — conta. 

Apenas no Instagram, o crescimento no número de golpes é de 1.366%. De janeiro a abril de 2021, 68 registros foram feitos — número que saltou cresceu para 997 em 2022. 

Pelo WhatAapp, o aumento foi semelhante. Cerca de 3.905 pessoas foram vítimas de algum tipo de golpe realizado através do aplicativo de mensagens neste ano, aumento de 97% em comparação com o mesmo período do ano passado.

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A conta hacekada não foi recuperada pelo amigo da vítima, que contou ao Diário Catarinense que outras pessoas também caíram no golpe e entraram em contato para "tirar satisfação". 

— Eu tava mexendo no meu Instagram e daí do nada apareceu uma mensagem para mim dizendo que eu fui sorteado e pediram todos os meus dados, né? Eu informei apenas o meu nome e o meu CEP e com isso ele falou para mim, com perfil falso, passar os dados e com esses dados eles iam fazer a confirmação disso. Enviaram uma mensagem para mim de texto e nessa mensagem era um link, eu cliquei nesse link — explica o homem que teve a conta hackeada.

— Depois disso aí eu comecei a receber mensagem dos meus amigos (...) Se falarem comigo pelo Instagram, ele [golpista] vai responder como se fosse eu e informa que tem essa promoção, e as pessoas acabam caindo nesse golpe— finalizou.

A NSC TV conversou com um golpista, que se colocou à disposição para ensinar a reportagem a participar do esquema. Ele ainda afirmou estar ganhando dinheiro com as enganações. Depois, bloqueou a conta quando a emissora se identificou. 

Crimes cibernéticos

Se a oferta é boa e chega por WhatsApp, e-mail, Instagram, SMS ou qualquer outro canal digital, é preciso desconfiar. A Polícia Civil alerta para os cuidados em relação à internet.

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— As pessoas não se certificam que aquilo é um golpe, o recomendado é não clicar em nada desconhecido para não entrar em situações em que o fraudador vai obter seus dados. Ou, se por algum acaso isso acontecer, não depositar o dinheiro em nenhum momento. Na dúvida, liga para a pessoa para certificar se é ela mesmo — afirma o delegado e diretor da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), Verdi Furnaletto.

Segundo ele, a maioria dos golpistas está dentro de prisões e passa o dia tentando contato com vítimas. A situação já foi confirmada em investigações. 

Entre janeiro e abril deste ano, Santa Catarina registrou 17.631 estelinatos via internet, incluindo redes sociais e sites. No mesmo período de 2021, foram 12.948 casos. Já entre janeiro a dezembro do ano passado, o número de ocorrências chegou a 44.765.

A investigação, de acordo com o delegado, acontece mesmo quando a vítima não perde dinheiro. O crime é investigado como estelionato.

— Utilizam o dispositivo informático para aplicar o estelionato e usam as redes sociais para fazer o contato com as pessoas, se passar por alguém e fazer com que ela seja enganada e caia no golpe — afirma.

Confira alguns dos crimes cibernéticos mais comuns no Estado

  • Pelo OLX: quando golpistas se passam pela administração do aplicativo e informam estar confirmando código para que o usuário continue a venda do produto no site. Ou então, o golpista consegue o telefone da vítima, copia o anúncio e cria um novo anúncio falso, com o valor mais baixo. 
  • E-mail ou SMS: através de mensagens com links, os golpistas dizem que a vítima ganhou alguma promoção, sorteio, ou encaminham um alerta dizendo que ocorreu uma operação indevida em sua conta.
  • WhatsApp: os golpistas usam uma imagem de perfil da vítima, geralmente retirada das redes sociais, em outro número. Com uma conta falsa, se passam pela vítima e solicitam dinheiro para amigos, familiares e conhecidos.
  • Instagram: os golpistas hackeam a conta de um usuário e vendem, nos stories, produtos ou móveis com preços baixos. Ou então anunciam situações que vão retornar dinheiro rápido, como no caso da vítima citada acima.

Como se proteger

  • Desconfie quando a promoção está "fora do comum"
  • Quando for comprar algo anunciado por um amigo nas redes sociais, procure falar com ele pessoalmente ou por ligação telefônica, não faça a comunicação somente pela internet
  • Ao receber os dados para o depósito, confira se as informações são mesmo da pessoa que está anunciando e, caso não for, não faça a transação. Prefira o pagamento presencial
  • Se receber links desconhecidos por qualquer meio na internet, não clique
  • Procure sempre olhar a url dos sites e ter a certeza de que é o oficial
  • Fique atento a mensagens de conhecidos ou familiares solicitando dinheiro, principalmente em contas com fotos de conhecidos e números diferentes

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