O governo de Santa Catarina aceitou a proposta federal para conter a forte alta dos preços do diesel, causada pela guerra no Oriente Médio. Em uma nota à imprensa, porém, a equipe de Jorginho Mello (PL)
expôs duas reinvindicações feitas a Brasília: de que seja algo temporário e que o consumidor final realmente perceba no bolso a diferença.

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A proposta em questão prevê um auxílio de R$ 1,20 por litro de diesel importado até o fim de maio, dividido igualmente entre União e estados. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, comentou que foram adotadas medidas como zerar tributos e subsídios, mas que ainda há necessidade de ações adicionais, especialmente na importação:

— É uma guerra da qual o país não participa diretamente, mas que traz impactos relevantes. O Brasil exporta petróleo, mas ainda importa cerca de 30% do diesel que consome. Há uma preocupação com a incerteza nessa importação, que pode gerar problemas pontuais na distribuição, especialmente no setor rural.

Ideia é que subsídio faça com que preço nas bombas diminuam (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

Em nota, o governo de Santa Catarina disse que concordou com a divisão do subsídio, mas que duas premissas devem ser consideradas para “preservar o equilíbrio fiscal e assegurar a efetividade da política proposta”. São elas:

  1. O subsídio deve respeitar o teto mensal de impacto financeiro estimado para o Estado e possuir caráter estritamente temporário, sem possibilidade de prorrogação em período pré-eleitoral. A avaliação de Santa Catarina é de que uma eventual extensão da medida deverá ser integralmente custeada pela União.
  2. É fundamental que o Governo Federal assegure mecanismos eficazes para garantir que o subsídio de R$ 1,20 seja efetivamente repassado ao consumidor final, refletindo-se no preço praticado nas bombas.

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Alta do diesel em SC

O preço médio do diesel em Santa Catarina chegou a R$ 7,33 e acumulou uma alta de 20% nas três semanas que marcaram o início da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, mostraram dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Sindicatos dos postos de SC explicam que a pressão sobre os preços ocorre porque um quinto do combustível consumido no país é importado. Apesar de afetarem os preços, as entidades alegam que não há risco de desabastecimento. 

O que explica aumento do preço do diesel no Brasil

  • Fechamento do Estreito de Ormuz: o canal marítimo situado entre Irã e Omã é rota de cerca de 20% da produção de petróleo consumido em todo o mundo. A passagem é utilizada por grandes países produtores de petróleo, como Arábia Saudita e Iraque, e está praticamente fechada pelo governo iraniano desde o início do conflito.
  • Diminuição da produção de petróleo nos países do Oriente Médio: a região também teve outros países envolvidos após o Irã bombardear bases dos EUA nas nações vizinhas, o que afeta a produtividade de petróleo na região.

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