O governo Lula (PT) classificou como “intervenção” a ida do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a uma audiência pública realizada pelos Estados Unidos para discutir as tarifas comerciais de 25% impostas contra o Brasil, nesta terça-feira (7). Na ocasião, o filho de Jair Bolsonaro (PL) disse que o tarifaço pode favorecer o atual presidente nas eleições deste ano.

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Na nota, o governo diz que há um “claro objetivo eleitoreiro” de Flávio ao tratar da aplicação das tarifas, e disse que ele “optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta” com o Brasil.

“Entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro. Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”, diz o governo.

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A administração federal mencionou ainda o envolvimento de Flávio Bolsonaro com o caso Master.

“Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai. Assim como o caso Master, os descontos ilegais que prejudicaram milhões de aposentados e pensionistas do INSS também começaram no governo Bolsonaro”, diz o texto.

O governo afirma ainda que divergir de quem está no comando do país é legítimo, mas “convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria”.

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“Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, diz a nota.

Flavio participou do evento de forma independente (Foto: Divulgação)

O que Flávio disse na audiência

Durante audiência pública sobre a proposta de novas tarifas contra produtos brasileiros, Flávio dise que este seria o “pior momento possível” para a aplicação da medida. Ele participou do evento de forma independente, ao lado do irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos.

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Em discurso em inglês, Flávio pediu que o governo norte-americano adie a decisão e argumentou que a imposição das taxas poderia favorecer o presidente Lula antes das Eleições de 2026.

— O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente, e impor agora uma tarifa, que seria difícil de reverter, recompensaria os responsáveis pelas ações em questão — afirmou.

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— Punir aqueles que já arcaram com as consequências seria o pior momento possível para agir. Respeitosamente, peço a este país: não imponha tarifas ao Brasil. Preserve o sucesso desta parceria, cancele-a e vamos negociar — disse.

Governo respondeu EUA na semana passada

Na quarta-feira (1º), o governo brasileiro enviou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), uma resposta à investigação que pode resultar em novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

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No documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Brasil afirma que os Estados Unidos não comprovaram a existência de práticas comerciais desleais e sustenta que o Pix não prejudica empresas americanas nem favorece companhias nacionais.

O governo também defende que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre remoção de conteúdos e suspensão de perfis seguem a legislação brasileira e não discriminam plataformas estrangeiras. Além disso, argumenta que as críticas dos EUA refletem divergências sobre políticas públicas brasileiras, e não barreiras ao comércio.

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Veja fotos dos produtos mais exportados de SC aos EUA

Veja a nota do governo na íntegra

“O governo brasileiro repudia a intervenção do senador Flávio Bolsonaro em audiência pública realizada, nesta terça-feira (7), pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), aberta à participação do setor privado e da sociedade civil para discutir a imposição de tarifas contra o Brasil. Ao todo, 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para se manifestar sobre o tarifaço. Desse total (somando brasileiros e estadunidenses), 63 são contra o tarifaço, 15 são a favor. Das 44 intervenções de estadunidenses, 30 são contra o tarifaço e 14 a favor.

Entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro. Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país.

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O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil. Tampouco aproveitou a audiência de hoje para reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro. O senador defendeu a revogação de decretos brasileiros que previnem a circulação de conteúdos criminosos e enfrentam a violência contra mulheres no ambiente digital. Isso só interessa a dois grupos: quem lucra com o caos e quem precisa dele para cometer crimes.

Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai. Assim como o caso Master, os descontos ilegais que prejudicaram milhões de aposentados e pensionistas do INSS também começaram no governo Bolsonaro.

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Foi no atual governo que o esquema foi desbaratado pela Controladoria Geral da União e a Polícia Federal e que 3,2 bilhões de reais que haviam sido desviados foram devolvidos para 4,2 milhões de beneficiários. Ao contrário do que o senador Flávio Bolsonaro e sua família defenderam ao longo do último ano, ele agora tenta mudar o discurso e passar a imagem de que defende o PIX. Mesmo assim, propõe subordinar o PIX aos interesses norte-americanos.

O governo brasileiro negocia ininterruptamente com os Estados Unidos desde julho de 2025 para reverter as tarifas aplicadas injustificadamente contra o Brasil. Por meio de reuniões, cartas, telefonemas e encontros no mais alto nível, temos demonstrado que as tarifas não têm fundamento.

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Esta manhã, enquanto o senador Flávio Bolsonaro tentava politizar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos, funcionários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Itamaraty; Ministério da Justiça; e do Palácio do Planalto mantinham reunião com técnicos do USTR para desfazer o tarifaço contra o Brasil. Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro.