A greve dos professores que atuam nos Centros de Educação Infantil (CEIs) administrados pela Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc) começou nesta terça-feira (12) e impacta diretamente milhares de famílias do município. A rede atende cerca de 6 mil crianças de 3 meses a 5 anos e 11 meses em 40 unidades espalhadas pelos bairros da cidade.

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Segundo a Afasc, 11 CEIs seguem com atendimento parcial nesta terça-feira (12). As demais unidades estão sem atendimento por falta de professores.

O movimento é organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino da Região Sul de Santa Catarina (Steersesc). A principal reivindicação da categoria é a adoção do piso nacional do magistério também para os profissionais da educação infantil vinculados à entidade.

Segundo decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (TRT-12), a greve foi aprovada em assembleia e comunicada com antecedência superior a 48 horas. A Afasc tentou barrar o movimento na Justiça, alegando risco à continuidade dos serviços e defendendo que a legislação citada pelo sindicato seria aplicável apenas a profissionais vinculados ao poder público.

No entanto, o juiz convocado Hélio Henrique Garcia Romero rejeitou o pedido liminar da entidade e entendeu que, neste momento, não há elementos para considerar a paralisação abusiva. O magistrado destacou ainda que atividades de magistério não são classificadas como essenciais pela Lei de Greve.

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O que motiva a greve que afeta atendimento em 40 CEIs

Conforme o processo judicial, os trabalhadores reivindicam a aplicação do piso nacional do magistério previsto na Lei nº 11.738/2008, com extensão à educação infantil após mudanças trazidas pela Lei nº 15.326/2026.

A Afasc afirma que a exigência representa um impacto salarial superior a 60% em relação ao piso atualmente praticado e considera a proposta incompatível com a realidade financeira e contratual da instituição. Em nota oficial, a entidade informou que concedeu ganho real de 3% acima da inflação em 2025 e apresentou nova proposta de reajuste para 2026.

A associação também argumenta que assumir um aumento dessa dimensão colocaria em risco a sustentabilidade da instituição e a continuidade do atendimento prestado às famílias de Criciúma.

Prefeitura fala em buscar alternativas

Em nota, a Prefeitura de Criciúma informou que notificará a Afasc para que sejam adotadas medidas imediatas visando garantir a continuidade do atendimento nas creches administradas pela entidade.

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O município afirmou ainda que a Secretaria Municipal de Educação iniciou um levantamento junto a empresas e instituições que atuam na educação infantil para buscar alternativas legais e seguras que reduzam os impactos da paralisação às famílias.

A administração municipal declarou que considera legítimo o direito de reivindicação, mas classificou como “inaceitável” que crianças fiquem sem atendimento e alimentação por causa do impasse entre sindicato e entidade.