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Greve de servidores em Florianópolis tem disputa de versões e trava sem nova negociação

Prefeitura diz ter tentado acordo, e sindicato diz esperar proposta formal para ser votada por servidores

21/06/2022 - 10h32 - Atualizada em: 21/06/2022 - 10h33

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Paulo
Por Paulo Batistella
Servidores fizeram protesto nas ruas na segunda
Servidores fizeram protesto nas ruas na segunda
(Foto: )

A greve dos servidores públicos municipais de Florianópolis completa uma semana, nesta terça-feira (21), sem previsão de nova mesa de negociação e sob uma disputa de versões. A gestão Topázio Neto (PSD) afirma ter tido proposta recusada no dia anterior, enquanto o sindicato à frente do movimento diz que ela não chegou a ser formalizada.

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A principal reivindicação do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis (Sintrasem) é um reajuste salarial de ao menos 12,47%, para repor a inflação dos últimos 12 meses. A prefeitura propôs até aqui, no entanto, um aumento de 7% aos servidores, que seria aplicado aos poucos até junho do ano que vem.

A gestão municipal diz que a proposta foi recusada ainda na mesa de negociação, iniciada às 11h de segunda (20), e que o sindicato tem sido irredutível. Em um vídeo divulgado às 14h, o prefeito disse que havia ido ao limite do que poderia honrar.

Já o Sintrasem diz que a proposta não foi apresentada em um ofício, para que pudesse ser votada pelos próprios servidores em uma assembléia ainda na segunda, e que o anúncio de Topázio sobre a suposta recusa foi divulgado antes mesmo de uma eventual votação. No mesmo dia, houve protesto da categoria nas ruas.

O sindicato diz ainda que, em ocasiões anteriores nas quais deu sequência a acordos verbais, acabou recebendo propostas formalizadas em documentos já com outros termos. A prefeitura contesta essa versão.

As duas partes da negociação ainda discordam sobre a adesão ao movimento. A prefeitura diz que 16% dos profissionais da educação e da saúde não foram ao trabalho na segunda. O Sintrasem, por sua vez, afirma que 70% dos serviços estão interrompidos.

A prefeitura diz ainda que os grevistas da saúde, da educação e da assistência social, serviços considerados essenciais, serão cobrados agora como faltosos e descumprem decisão judicial da última sexta (17) que determinava volta ao trabalho em até 48 horas.

O Sintrasem afirma contar o prazo, no entanto, a partir desta segunda, quando foi oficialmente intimado sobre a decisão judicial. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) confirma ser esse o prazo correto para cumprimento do despacho.

Os servidores dizem ter solicitado uma audiência com a prefeitura a ser mediada pelo desembargador Jaime Ramos, que assinou a decisão. Ele irá receber membros do Sintrasem em seu gabinete na tarde desta terça, segundo o sindicato.

A entidade diz que, até a manhã desta terça, não havia previsão de nova mesa de negociação. Também questionada sobre o tema, a gestão municipal não respondeu.

A greve também defende cumprimento dos pisos nacionais de parte dos profissionais da educação e da saúde, que correspondem à maior parte do quadro de servidores. Pede ainda pagamento de planos de carreira, melhora das condições de trabalho e convocação de concursos públicos para reposição de funcionários.

A prefeitura, por sua vez, já aceitou, além do reajuste, aumentar em 30% o vale-alimentação de todos os servidores, pagar 20% do plano de cargos e salários em janeiro e dar mais 3% de reajuste aos professores referente ao que chama de descompactação da tabela, "para aqueles que já estavam acima do piso do magistério em fevereiro de 2022", conforme divulgou.

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