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    Solidariedade

    Grupo religioso ajuda a ressocializar detentos dentro e fora da prisão em Joinville

    Voluntários na Pastoral Carcerária visitam presos e ajudam familiares

    26/12/2019 - 10h59 - Atualizada em: 26/12/2019 - 11h04

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    Hassan
    Por Hassan Farias
    Silvana, Reginaldo e Célio são voluntários na pastoral
    Silvana, Reginaldo e Célio são voluntários na pastoral
    (Foto: )

    O período do Natal e das festas de fim de ano são inspiradores para quem quer ajudar a tornar as vidas de outras pessoas mais felizes. É época de doações e de festas para os grupos mais vulneráveis da sociedade.

    Em Joinville, há voluntários que colaboram o ano inteiro dentro da comunidade, e que não fazem distinção em relação ao passado ou às escolhas de vida daqueles que são ajudados. “A Notícia” conta três histórias de grupos de voluntários que trabalham para melhorar o mundo de pessoas que, geralmente, são tratadas com preconceito e indiferença.

    Confira as histórias:

    ​24 de dezembro: Os voluntários que distribuem comida a moradores de rua em Joinville

    ​25 de dezembro: Irmãs carmelitas abrigam mulheres grávidas em situação de vulnerabilidade em Joinville

    26 de dezembro: Grupo religioso ajuda a ressocializar detentos dentro e fora da prisão em Joinville

    A Pastoral Carcerária existe há 27 anos atuando junto aos detentos do Presídio Regional, da Penitenciária Industrial de Joinville e seus familiares, além dos jovens que cumprem medidas socioeducativas no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) e no Centro de Atendimento Socioeducativo Provisório (Casep).

    Os voluntários são fiéis que têm suas famílias, trabalho e outras responsabilidades, mas encontram na pastoral uma maneira de fazer o bem ao próximo. As visitas buscam a evangelização, mas acabam sendo muito mais do que isso. Os voluntários levam palavras de conforto, de esperança e se colocam à disposição para ouvir os detentos.

    A pastoral tem reuniões mensais e todas as semanas faz visitas aos detentos do sistema prisional, mas o trabalho não para por aí. No fim deste ano, por exemplo, levaram panetones aos detentos e reuniram cestas básicas para doar à familiares carentes, já que muitos deles eram sustentados pelos parentes que foram presos.

    — Eles ficam felizes com a nossa presença porque, às vezes, somos a única visita deles. Entramos para ler a palavra, mas tem vezes em que saímos sem ler porque também vamos para ouvi-los — explica Célio Rodolfo de Souza, de 51 anos.

    Voluntários trabalham durante o ano inteiro na pastoral
    Voluntários trabalham durante o ano inteiro na pastoral
    (Foto: )

    Emoção e aprendizado em 22 anos de voluntariado

    Célio e a esposa Silvana Sedrez de Souza, 46 anos, são voluntários na pastoral há 22 anos. Em todo esse tempo, já viveram muitos momentos marcantes com os detentos. Histórias que emocionaram e deixaram aprendizados.

    — Dói muito quando falam mal deles e não é uma questão de defender bandido. É ver a pessoa como um ser humano e não como um animal. Nós já tivemos o carro roubado e em uma das visitas ao presídio reconheci o homem que nos roubou. Não senti ódio, mas compaixão — conta Silvana.

    Segundo ela, as pessoas costumam achar que os detentos não têm coração, mas eles já pecaram e têm consciência do erro que cometeram. Ela ressalta que ninguém está livre de estar no lugar deles em algum momento por qualquer erro que cometa. Por isso, defende que as pessoas se coloquem no lugar dos outros e não alimentem o coração com ódio.

    Sociedade pode ajudar na mudança

    O fresador Reginaldo Alves Ribeiro, de 31 anos, atua na pastoral juntamente com o casal Célio e Silvana. Ele está há seis anos no voluntariado e também visita os detentos no presídio e na penitenciária.

    Reginaldo diz ouvir de muitos presos sobre a vontade de sair para ter uma vida de melhor. Outros querem, mas sabem que vai ser difícil. Há também aqueles que dizem não querer mudar. Mas, para o voluntário, a sociedade também pode ajudar nesse processo.

    — A gente tem que julgar menos porque eles vão sair de lá em algum momento. O nosso papel é tentar ajudar para que eles saiam melhores do que entraram.

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