O desfile em homenagem a Lula no Carnaval do Rio de Janeiro é visto como catastrófico pelo Palácio do Planalto, de acordo com o colunista Lauro Jardim, de O Globo. O governo acompanhou pesquisas e trackings sobre a apresentação da Acadêmicos de Niterói, no último domingo (15).
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A escola abriu os desfiles da noite com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A escolha da homenagem, em ano eleitoral, provocou críticas e ações judiciais da oposição. (saiba mais abaixo)
Por que desfile é visto como catastrófico?
Segundo o colunista, na avaliação do Planalto, o desfile não agradou os evangélicos.
— Todo um trabalho de aproximação com os evangélicos foi jogado fora — disse um líder petista a Lauro Jardim.
Uma das alas da escola, que representou uma “família tradicional” dentro de uma lata de conservas, é vista como o símbolo do desastre. Um ministro de Lula chegou a dizer que a ala é a “prova de que o governo não teve qualquer interferência na concepção do desfile”.
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Veja imagens do desfile
Desfile foi questionado na Justiça
O desfile foi alvo de pelo menos 10 ações judiciais e representações no Ministério Público e no TCU que tentaram impedir o desfile ou suspender e reverter repasses de recursos públicos. As iniciativas alegavam que trechos do samba e da apresentação configurariam propaganda eleitoral antecipada do presidente Lula. Também houve pedidos para barrar a presença do presidente na Marquês de Sapucaí e para restringir manifestações consideradas ataques a adversários.
Na última quinta-feira (12), o TSE negou uma liminar que pedia a proibição do desfile. Ministros do tribunal, porém, alertaram que eventuais condutas na Avenida poderiam ser analisadas posteriormente e resultar em punições.
PT e escola de samba rebatem
Em nota oficial na segunda-feira (16), a escola de samba disse que durante todo o processo carnavalesco foi perseguida.
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“Sofremos ataques políticos, enfrentamos setores conservadores e, de forma ainda mais grave, lidamos com perseguições vindas de gestores do próprio Carnaval Carioca. Houve tentativas de interferência direta na nossa autonomia artística, com pedidos de mudança de enredo, questionamentos sobre a letra do samba e outras ações que buscaram nos enquadrar e nos silenciar”, citaram.
Ainda na tarde de segunda-feira, o PT publicou uma nota rebatendo as críticas feitas pela oposição e afirmando que “não há fundamento jurídico para qualquer discussão sobre inelegibilidade relacionada ao episódio”.
“A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral é firme no sentido de que manifestações políticas e culturais espontâneas de artistas constituem exercício legítimo da liberdade de expressão, inclusive em contextos eleitorais e em eventos públicos”, diz um trecho da nota do PT.






