O Hotel Boutique Quinta das Videiras, um charmoso casarão cor-de-rosa localizado na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, acaba de ganhar um selo internacional de compromisso com a sustentabilidade, o ESG Biosphere Committed. Além de ser o primeiro hotel do Brasil a adquirir o reconhecimento, a hospedaria agora partilha o espaço com mais de três mil unidades também reconhecidas pela responsabilidade com o desenvolvimento sustentável, sendo que muitas delas ficam na Europa.
Continua depois da publicidade
O sistema Biosphere, que emite a certificação, foi criado em 1997 pelo internacional Instituto de Turismo Responsável (RTI), a partir de um grupo de acadêmicos, profissionais e especialistas em sustentabilidade, com um Memorando de Entendimento (MOU) com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
O objetivo da iniciativa é transmitir as diretrizes das nações unidas de forma fácil e adaptada, de como alcançar estilos de vida e modelos alinhados com os princípios e objetivos globais de sustentabilidade.
A cidade de Barcelona foi o primeiro destino urbano a obter o ESG, em 2022.

Continua depois da publicidade
O selo foi concedido ao Hotel Boutique Quinta das Videiras na última quinta-feira (26). Para o proprietário, “Guto”, como é chamado pelos mais próximos, a conquista é uma honra.
— Conquistar um selo desse é algo muito gostoso, muito gratificante, porque você consegue perceber que está no caminho certo. Acho que o mais legal de tudo é você começar a ter a tua consciência um pouco mais aberta. Você começa a oxigenar mais e pensar que pode melhorar. Isso, eu acho que é o grande barato da conquista do selo — comemora.
Além de hotéis, o selo certifica restaurantes, agências de viagens, museus, praias, entre outros serviços.
No Brasil, há somente mais um serviço que possui o reconhecimento do Biosphere Committed. Trata-se da Girus Soluções em Turismo, agência de viagens, também de Florianópolis, que oferece planejamentos de destinos sustentáveis para turistas.
Continua depois da publicidade
Veja fotos do hotel na Lagoa da Conceição
O processo de conquista do selo
O Quinta das Videiras recebeu o convite para adquirir o selo diretamente de Carlos Capellini, morador da Lagoa da Conceição que, por coincidência ou não, é o responsável pela missão trazer os selos para o Brasil.
— O Carlos já conhecia o hotel e nos conhecia. Isso aí vem das estrelas, aquelas conexões que a gente fala — diz Guto, feliz com a conquista.
Após o convite, o primeiro passo para conquistar o selo de sustentabilidade é fazer a inscrição no site da Biosphere Sustainable. Há o custo de inscrição e Guto, ao lado da esposa, também proprietária, contou com o apoio de Carlos, que fez o papel de consultor durante todo o processo.
Continua depois da publicidade
Para conquistar o selo, o hotel precisou cumprir 10 etapas que evidenciassem o compromisso com a sustentabilidade. Entre uma delas, está a questão “o que você faz perante à sua comunidade?”, o que deixou Guto e Adriana Manes Guedes, a esposa, felizes.
— Isso foi uma das coisas que mais me tocou, porque a gente realmente gosta de se envolver com a comunidade… Gosta de se envolver com o dia a dia da sua operação, gosta de estar conectado com o que está acontecendo… Quando eu fiquei sabendo desse ESG, eu falei: “Cara, e por que não?” — recorda.
O certificado de comprometimento com a sustentabilidade, diferente do selo, vem somente após 137 etapas, que devem ser cumpridas ao longo de um ano.
A padronização Biosphere é a adaptação dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), plano global adotado pela ONU, através da análise e indicadores da Organização Mundial do Turismo (OMT), do Pacto Global, dos indicadores da União Europeia (UE) e dos critérios do Conselho Mundial do Turismo Sustentável (GSTC).
Continua depois da publicidade
Este sistema de gestão e certificação da sustentabilidade foi reconhecido como a melhor ferramenta de certificação da sustentabilidade no mundo em 2021 pelo relatório “Recommendations on tools and certification for in-depth research“, elaborado pela Universidade de Sherbrooke, Canadá, em colaboração com a Tourism Durable Quebec, uma organização focada na promoção do turismo sustentável em Quebec.
A conquista, para Guto, vem junto da intenção de ajudar outras pessoas a seguirem o mesmo caminho.
— Pô, se um hotel de Florianópolis que, apesar de ser de luxo, tem um departamento comercial modesto, 16 quartos, duas pessoas [no comando], conseguiu, por que não uma grande empresa não consegue? Acho que esse primeiro selo significa que é possível fazer para todos nós. É muito gratificante ser o primeiro do Brasil, mas espero que sirva de inspiração para outros, vários outros — afirma Guto.
Amor e garimpos: conheça a história do hotel
Motivados pelo amor por Florianópolis e o encontro, quase por acaso, de uma plaquinha de “vende-se” em um dos primeiros terrenos da Lagoa da Conceição, bairro da Ilha de Santa Catarina, o casal Gutemberg Lopes Guedes e Adriana Manes Guedes fez nascer o Hotel Boutique Quinta das Videiras. Trata-se de um casarão cor-de-rosa que atualmente chama a atenção de qualquer um que circula pelo bairro na área do Leste da Ilha.
Conheça hotel que nasceu de histórias de amor em um dos terrenos mais antigos em bairro de SC
Charmoso, o espaço conta com itens exclusivos e até inusitados, desde um piso de ladrilho hidráulico que é o mesmo da Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro, conhecida por ser a doceria favorita de Machado de Assis, até um lustre, logo na entrada, que tem somente mais três “gêmeos” no Brasil e no mundo, vindo do renomado Le Méridien, do Rio — atualmente Hotel Hilton Copacabana.
Continua depois da publicidade
O casal mora em Guaramirim, que fica a aproximadamente 200 quilômetros da Capital. Adriana, de 49 anos, é catarinense, enquanto Guto, de 55, é de Brasília. Ainda assim, ele diz ter uma conexão especial com o Estado, que até influencia na gestão do hotel:
— Meus filhos nasceram todos em Florianópolis e eu já estou aqui há mais de 20 anos. Então, a gente respira Santa Catarina 100%. O hotel também tem essa pegada do catarinense de querer atender bem, fazer com amor, com zelo e com capricho — diz, com carinho.
Paixão por Florianópolis e história de amor são parte da história do hotel
Ter uma casa em Florianópolis era um sonho antigo para o casal, por tudo que a Ilha da Magia transmitia para os dois: calma.
— Nessas idas e vindas para Florianópolis, a gente ficou em uma pousada, e o dono mencionou a experiência de ter o negócio e de como era legal. A gente falou “pô, por que ao invés de ter uma casa, a gente não faz uma pousada? Aí a gente já recebe os amigos, dá para fazer um business, a coisa flui melhor” — conta Guto.
Continua depois da publicidade
Na época, o casal tinha o costume de frequentar cafés na Lagoa da Conceição. Em um dia, há pouco mais de 17 anos, os dois avistaram um terreno perto de um pé de manga que tinha a plaquinha de “vende-se”. O espaço era o sétimo terreno a existir no bairro, e pertencia ao seu Nonô e à dona Terezinha.
— Nisso, a gente se encantou por essa propriedade, e começamos a negociar com eles. A gente gostou da história dos dois, um casal maravilhoso, apaixonante e encantador. Eles também se identificaram com a gente. Foi muita energia positiva que fluiu ali — relembra.
As negociações seguiram. No terreno, havia parreiras de uvas, plantadas por seu Nonô e dona Terezinha, os primeiros proprietários. Foi justamente isso que motivou o nome Quinta das Videiras, quando o hotel ganhou forma:
— “Quinta” seria um “pedacinho de terra”, em Portugal, e videiras é inspirado nas parreiras plantadas pelos dois.
Continua depois da publicidade
“Tijolinho por tijolinho”: lustres e móveis exclusivos vêm de garimpos do casal
Os móveis presentes no hotel são de 1810 a 1920, de acordo com Guto.
— Tem império, Maria Antonieta, Chipandelle, peças que foram da inauguração do Copacabana Palace… O piso é o mesmo que está na Confeitaria Colombo e que veio da mesma forma a pedido do proprietário no Rio. Ele, na verdade, é inspirado em um desenho lá do Palácio de Versalhes — compartilha o proprietário.
A aquisição dessas peças é feita pelo próprio casal, em viagens para a capital carioca ou para o interior de Minas Gerais.
— No meio do caminho, tinham antiquários, e a gente ia na sorte mesmo. Sentindo, conversando e garimpando aos poucos, e depois ia encaixando ao passar dos anos. A gente começou do chão, mesmo. Tudo que foi feito no hotel, a gente participou de cada detalhe, cada tijolinho.
Continua depois da publicidade
O garimpo, para os dois, nunca acabará.
— É uma paixão. A gente vai continuar garimpando. Muitas peças dessas talvez poderiam estar até no museu, mas a gente deixa a galera sentir, mesmo: dormir, pegar, tocar, abrir gaveta, fechar gaveta, abrir porta, fechar porta… — declara.
Atualmente, o hotel Quinta das Videiras, na Lagoa da Conceição, recebe entre 10 e 12 mil pessoas por ano. Segundo Guto, desse número, 50% são estrangeiros.
*Sob supervisão de Giovanna Pacheco
Leia também
Barbeiro de Itajaí viraliza com corte ousado e vídeo passa de 2 milhões de visualizações
A relação de comunidade de Florianópolis com Chico Mendes, o maior ambientalista do Brasil





















