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Centenárias do Vale

Igreja enxaimel de Benedito Novo: história, fotos e curiosidades sobre o templo

Igreja luterana já foi sala de aula em um período dos 104 anos de história

27/10/2021 - 12h20 - Atualizada em: 29/10/2021 - 12h40

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Por Redação NSC
Igreja no alto de uma colina fica em meio à vegetação
Igreja no alto de uma colina fica em meio à vegetação
(Foto: )

Conhecida pelas belas paisagens e pelo turismo ecológico, a cidade de Benedito Novo, no Vale do Itajaí, também abriga um das poucas igrejas em estilo enxaimel do Brasil. O templo foi erguido há 104 anos pelos primeiros imigrantes alemães que colonizaram a região.

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São os moradores do Ribeirão Liberdade os guardiões dessa verdadeira obra de arte contornada pela natureza e fortalecida pela fé. Logo na entrada da igreja está a primeira ata que foi escrita na comunidade: 15 de maio de 1917, ano em que a estrutura começou a ser construída.

O estilo enxaimel da igreja é um tipo de construção que carrega toda a disciplina e dedicação alemã. A técnica é simples e rápida, as paredes são montadas com hastes de madeira e os tijolos são encaixados, cuidadosamente, para preencher os espaços.

Apesar da beleza única, a igreja luterana de Benedito Novo é modesta no interior. Tem apenas o necessário para as celebrações, mas o bastante para o alemão Martin Lutero, principal personagem da Reforma Protestante que aconteceu na Europa no século XVI e que contestava, entre outras coisas, o poder da igreja católica. Lutero pregava a humildade, a valorização da fé e a conexão com Deus.

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— Aqui é pra lembrar de Martin Lutero que em 1517 trouxe a reforma luterana e trouxe todo o diferencial de voltar para a palavra. Por isso que no nosso altar no centro é a nossa palavra — explica o pastor Vitorino Schram.

Sinos alemães

Assim como em várias comunidades, os sinos das igrejas regem a vida dos moradores. E em Ribeirão da Liberdade não é diferente. Adalberto Klug é o sineiro oficial da igreja. Há 34 anos ele faz as honras da casa.

— É uma responsabilidade! Se tem um óbito a gente vem de noite avisar. Depois das 6 horas bate o sino e se tem velório a gente vai de novo — comenta Adalberto.

Uma das curiosidades dessa igreja é que os sinos vieram da Alemanha. Eles ficam na torre central de alvenaria que, em uma das reformas, substituiu a primeira que era de madeira.

Histórias que se misturam 

Seu Roberto Gumz mora a poucos metros da igreja. Assim como outros moradores, ele preserva a língua alemã. Aos 94 anos ainda tem na lembrança a época em que a igreja chegou a funcionar como sala de aula.

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— Os primeiros três anos foram professores alemães. E depois veio a guerra mundial e vieram os professores brasileiros — diz o aposentado.

A igreja também sempre esteve presente na família Wollert. Os três irmãos participam dos cultos levando fé através das músicas. E detalhe: todas cantadas em alemão.

— É um sentimento muito bom estar servindo Deus, fazendo uma coisa boa e trazendo uma mensagem pra comunidade — diz a dona de casa Tatiana Beyer Wollert.

O filho de Tatiana, Adriel, de apenas quatro anos, também participa dos cultos com a família. E mesmo com pouca idade já aprendeu uma oração na língua alemã que se chama “eu sou pequeno”.

A igreja enxaimel de Benedito Novo é mais uma centenária que perpetua as tradições de um povo que faz questão de não perder as suas origens.

*Centenárias do Vale é uma série sobre as igrejas centenárias do Médio Vale do Itajaí vinculada na NSC TV. Texto: Maurício Cattani.

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