Em 1532, o nobre, militar e administrador colonial português Martim Afonso de Sousa (Vila Viçosa, c. 1500 – Lisboa, 21 de julho de 1564) liderava uma expedição quando ele e sua tripulação aportaram em uma pequena ilha no que viria a ser o litoral do estado de São Paulo, e lá, caçaram fragatas e mergulhões.Segundo conta a história, os navegadores atearam fogo na ilha antes de partir em uma tentativa de afastar a má sorte. Esse episódio gerou o primeiro registro histórico – até onde se sabe; da atual Ilha da Queimada Grande.

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A ilha possui uma área de 430 mil metros quadrados, e está localizada entre Itanhaém e Peruíbe. Atualmente, é a segunda ilha com a maior densidade populacional de serpentes no planeta, perdendo apenas para a Ilha de Shedao, na China.

Como as cobras bloquearam visitas na Ilha

Devido à alta presença de serpentes venenosas e o difícil acesso, a visitação ao local foi proibida pela Marinha do Brasil e restrita apenas a pesquisadores, cientistas e biólogos com autorização. Porém, já houve um período em que pessoas habitavam a região.

De acordo com estudos feitos pelo Instituto Butantan, no final do século XIX, um farol foi instalado na ilha pela Marinha, e sua manutenção ficava a cargo de faroleiros que residiam no local.

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Há cerca de três mil serpentes distribuídas por toda a ilha, o que deu origem ao nome popular de “Ilha das Cobras”. No entanto, somente duas espécies a habitam: a jararaca-ilhoa, que é a espécie mais comum e exclusiva do local; e a dormideira (Dipsas albifrons cavalheroi), que também pode ser encontrada em outras regiões, embora seja menos frequente na ilha. As informações são fornecidas pela bióloga e especialista em serpentes, Ligia Amorim, que já visitou a ilha em diversas ocasiões.

Farol localizado na Ilha da Queimada Grande (Foto: Ligia Amorim, Reprodução, g1)

Em 1911, o faroleiro Antônio Esperidião da Silva desempenhou um papel importante ao enviar exemplares da jararaca-ilhoa para o Instituto Butantan, o que deu início a todas as pesquisas relacionadas a essa espécie única de cobras. No entanto, em 1925, quatorze anos depois, os faroleiros foram retirados da ilha e o farol passou a ser operado automaticamente.

Por que o nome da Ilha cheia de cobras é Queimada Grande?

O nome “Queimada Grande” tem uma explicação: a Marinha, ao longo dos anos, realizou incêndios controlados na ilha devido ao temor das serpentes. Essa prática persistiu por séculos na tentativa de controlar a superpopulação de cobras, e as queimadas eram tão significativas que podiam ser observadas do continente.

O número surpreendente de serpentes pode ser atribuído ao seu isolamento, que resulta em uma pequena quantidade de predadores, assim como uma grande quantidade de presas.

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Em 1984 a ilha ganhou o título de “área de relevante interesse ecológico”, o que significa que a proteção da sua fauna e flora está determinada por lei.

Veja algumas fotos da Ilha da Queimada Grande

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