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    Representatividade

    Influenciadora cega de Florianópolis cria conteúdos para desmitificar a deficiência visual

    Ingrid Medida, cega desde os 17 anos, acaba de criar um canal no Youtube após repercussão de um vídeo de automaquiagem

    15/04/2021 - 08h00

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    Por Janaína Laurindo
    Ingrid Medina
    Ingrid Medina, de 26 anos, mora em Florianópolis
    (Foto: )

    Os vídeos tutoriais de maquiagem são uma febre nas redes sociais, não são poucos os nomes influentes na internet que surgiram fazendo ou ensinando como maquiar. No meio altamente concorrido, o vídeo da jovem Ingrid Medina, de 26 anos, moradora de Florianópolis, realizando automaquiagem, no entanto, carrega um significado diferente.

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    Ingrid é de Brasília, mas mudou para Santa Catarina há seis anos, nasceu com glaucoma e conviveu com baixa visão até os 17 anos, quando perdeu definitivamente a visão. A sua condição hoje é tratada com muita tranquilidade, mas nem sempre foi assim. Em suas redes sociais, a jovem que acaba de se formar assistente social pela Universidade Federal de Santa Catarina, compartilha sua rotina, a prática de atividades físicas, em especial o surfe, a parceira com seu cão guia e informações sobre a deficiência visual.

    Ingrid Medina e seu cão guia
    Ingrid compartilha sua rotina em seu Instagram
    (Foto: )

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    A repercussão do vídeo de automaquiagem publicado no Instagram fez Ingrid criar motivação para produzir mais conteúdos com intuito de desmistificar os estereótipos em relação a pessoas com deficiência.

    — Eu penso que quando estamos nos incluindo em um nicho no qual nunca somos retratadas, no caso o de cosméticos, acredito ser uma baita representatividade. Então, quando eu mostro que sim, é possível sim, eu me maquiar, além de mostrar para outras mulheres com deficiência de que elas também podem, eu estou passando a informação para a sociedade de um modo geral de que somos consumidoras, precisamos e devemos ocupar os espaços.

    O “Canal da ING”, ainda com poucos inscritos, já possui dois vídeos onde Ingrid conta um pouquinho de sua história e sua aproximação com os meios tecnológicos.

    A jovem utiliza em suas postagens o recurso de autodescrição para ter o conteúdo consumido também por pessoas com deficiência visual, mas ela tem consciência que como uma grande parcela de usúarios não utiliza dessa ferramenta, poucas pessoas com deficiência visual utilizando as rede sociais.

    — Quando eu posto algo informativo, penso que estou passando informação para quem não tem, pessoas que muitas vezes nunca conviveram com outra pessoa com deficiência ou sequer tiveram contato direto.

    Ingrid pretende seguir produzindo conteúdo digital, tem ao seu lado a ajuda do namorado, Massuelo Brazil, fotógrafo profissional, que a axilia com fotos, gravação e edição de vídeos. Outro sonho que ela alimenta é seguir na sua área de formação, a assistente social atualmente trabalha como auxiliar administrativa em um escola particular no centro de Florianópolis.

    Assista ao vídeo de automaquiagem:

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