O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou na tarde desta terça-feira (14) que o El Niño já afeta o clima no Sul do Brasil. Segundo o órgão, na última semana foram observados padrões atmosféricos característicos do fenômeno, que favorecem o aumento das chuvas em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná.
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O Inmet emitiu uma série de alertas de tempestade para a região a partir de quinta-feira (16), inicialmente para o Rio Grande do Sul. De acordo com o instituto, a combinação entre uma área de baixa pressão que se forma na Argentina e a atuação do Jato de Baixos Níveis (JBN), que transporta calor e umidade para o Sul do país, deve aumentar o risco de temporais.
Veja as áreas em alerta do Inmet
Inmet faz alerta de tempestades para os próximos dias
O primeiro aviso é um alerta amarelo, de perigo potencial, válido para quinta-feira (16), quando as tempestades devem atingir o sul e o oeste do Rio Grande do Sul, incluindo municípios como Alegrete, Santiago, Uruguaiana, Bagé, Pelotas e Rio Grande. Nesses locais, há risco de chuva de 50 mm por dia, com ventos de 40 a 60 km/h e queda de granizo
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Na sexta-feira (17), as instabilidades ganham força e se espalham por uma área maior do Rio Grande do Sul, alcançando também a Região Metropolitana de Porto Alegre. Para esse período, o Inmet emitiu um alerta laranja, que indica chuva de 100 mm/dia, ventos intensos (60-100 km/h) e queda de granizo, válido entre sexta-feira e sábado (18).
No sábado (18), o avanço de uma frente fria associada ao centro de baixa pressão amplia as instabilidades para Santa Catarina. Conforme o Inmet, pancadas de chuva devem atingir o Centro-Sul do Estado a partir da tarde, enquanto o Rio Grande do Sul segue sob risco de tempestades.
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Por que o El Niño aumenta chuvas no Sul do Brasil?
Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, o El Niño altera o regime de chuvas em diferentes regiões do país. Durante episódios do fenômeno, ocorre o fortalecimento dos chamados Jatos de Baixos Níveis (JBN), que são correntes de vento que transportam umidade da região tropical para a Região Sul do Brasil.
Ao mesmo tempo, a atuação de centros de baixa pressão intensifica o fluxo de umidade, favorecendo a formação de nuvens e ocorrência de chuvas. Além disso, um sistema de alta pressão com centro no Oceano Atlântico e atuação sobre as regiões Centro-Oeste e Sudeste, estabelece um bloqueio atmosférico que dificulta o avanço dos sistemas para outras regiões do país.
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Como consequência, a umidade permanece concentrada sobre a Região Sul, aumentando a persistência e os volumes de chuva.

O que são Jatos de Baixos Níveis (JBN) e por que eles favorecem tempestades
Os Jatos de Baixos Níveis (JBN) são corredores de ventos fortes que sopram a cerca de 1,5 mil metros de altitude. Eles funcionam como uma espécie de “esteira” atmosférica, transportando calor e umidade da Amazônia em direção ao Sul do Brasil.
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Quando esses ventos se intensificam, levam uma grande quantidade de vapor d’água para a região, aumentando a disponibilidade de umidade na atmosfera — um dos principais ingredientes para a formação de tempestades.
Em episódios de El Niño, esse transporte de umidade costuma ficar mais intenso. Além disso, um bloqueio atmosférico sobre as regiões Centro-Oeste e Sudeste dificulta o avanço dos sistemas para outras áreas do país, fazendo com que a umidade permaneça concentrada sobre a Região Sul e aumente os volumes de chuva.
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Em resumo, o Jato de Baixos Níveis:
- transporta calor e umidade da Amazônia para o Sul do Brasil;
- aumenta a quantidade de vapor d’água disponível para formação de chuva;
- quando atua com áreas de baixa pressão e frentes frias, favorece a ocorrência de tempestades;
- durante o El Niño, tende a ficar mais intenso, potencializando as precipitações na Região Sul.



