Autoridades ambientais investigam o que provocou a morte de milhares de peixes na região do manguezal do Itacorubi, próximo à Avenida da Saudade, em Florianópolis, nesta quarta-feira (22). A Polícia Militar Ambiental (PMA) informou que o laudo que irá indicar o que motivou a morte dos peixes será concluído e apresentado dentro de 20 dias.

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De forma inicial, a PMA já identificou que a manjuva ou manjubinha (Cetengraulis edentulus) foi a única espécie afetada pelo episódio. Dessa forma, uma hipótese de contanimação por agentes químicos estaria descartada de forma preliminar, já que esse tipo de incidente iria provocar a morte generalizada das espécies locais.

A primeira análise feita pelo órgão indica que uma soma de fatores levou a morte dos peixes, sendo eles:

  • Choque Osmótico e Térmico;
  • Hipóxia (Baixa Oxigenação);
  • Confinamento e Assoreamento;
  • Pico reprodutivo durante o verão (migração para águas fluviais); 

Contudo, um laudo técnico mais detalhado ainda será elaborado para indicar o que levou a morte dessa espécie em específico no manguezal do Itacorubi. O caso foi documentado através de boletins de ocorrência específicos, além de levantamento fotográfico e terrestre.

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O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC) também atua no caso e realiza análises com foco na qualidade da água no local onde as mortes ocorreram. Segundo a entidade, este seria o principal indicativo para identificar a causa do fenômeno. Estão sendo feitas análises físico-químicas, além da verificação da presença de algas. A expectativa é que os procedimentos sejam concluídos em até duas semanas.

A prefeitura de Florianópolis afirmou que esteve no local na quarta-feira com uma equipe de fiscalização da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), e que ainda não é possível determinar as causas do incidente. A recomendação da prefeitura é que os pescadores evitem a pesca na região até que as razões para as mortes dos peixes sejam esclarecidas.

Peixes mortos apareceram em manguezal

Milhares de peixes amanheceram mortos na região de região do manguezal do Itacorubi, nas proximidades da Avenida da Saudade, em Florianópolis, na quarta-feira. Os animais apareceram mortos na beira de um dos braços do Rio Itacorubi.

O manguezal é protegido pelo Parque Natural Municipal do Manguezal do Itacorubi. O local guarda diversas espécies e tem condições específicas que o tornam berçário para diferentes espécies de peixes.

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Fotos mostram mortandade de peixes em Florianópolis

Confira a nota da Polícia Militar Ambiental

“No primeiro quadrimestre de 2026, a Polícia Militar Ambiental atendeu nos municípios de Palhoça, Biguaçú e Florianópolis, 5 ocorrências cujo fato objeto da denúncia era “mortandade de peixes”.

Em 2 ocorrências os fatos não foram confirmados, e nas outras 3 ocorrências foram identificadas grande quantidade de peixes mortos.

As diligências da Polícia Militar Ambiental foram realizadas no sentido de apurar as circunstâncias, possíveis causas e/ou eventuais ilícitos.

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Em todos os casos, a análise sistêmica do cenário evidenciava a morte de uma única espécie: a manjuva ou manjubinha (Cetengraulis edentulus).

Laudos Técnicos em casos pontuais apontaram que a água apresentava pH mais ácido e baixa concentração de oxigênio. 

A última ocorrência, registrada no bairro Itacorubi, em Florianópolis, no dia 22 de abril, terá laudo conclusivo apresentado em 20 dias.    

As guarnições da Polícia Ambiental não identificaram outras espécies mortas no local, o que, preliminarmente, afastaria a hipótese de contaminação por agentes químicos tóxicos agudos, visto que tais agentes provocariam mortalidade generalizada da biota local. 

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A análise do local e do comportamento biológico da espécie sugere que a causa da morte decorre de uma sinergia de fatores: Choque Osmótico e Térmico; Hipóxia (Baixa Oxigenação); Confinamento e Assoreamento; pico reprodutivo durante o verão (migração para águas fluviais); 

Portanto, salvo um laudo técnico mais conclusivo, tudo leva a crer que a fragilidade da espécie Cetengraulis edentulus, somada aos fatores supradescritos, teve como consequência a vitimização dessa espécie específica.

Em todas as ocorrências reportadas, a Polícia Militar Ambiental agiu de maneira imediata, apurando as circunstâncias e sistemicamente apontando caminhos à apuração do incidente ambiental. 

Todas as ocorrências foram documentadas através de boletins de ocorrência específicos, com levantamento fotográfico aéreo e terrestre.

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O 1º BPMA reforça seu compromisso com a proteção do meio ambiente, atuando de forma técnica, responsável e em conformidade com a legislação vigente.”

Confira a nota da Prefeitura de Florianópolis

“A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Fundação Municipal do Meio Ambiente, esteve no local com uma equipe de fiscalização ontem, quarta-feira, 22. As causas ainda não foram determinadas. O Instituto do Meio Ambiente (IMA) já foi acionado para a realização de análises da água e dos peixes, procedimento necessário para identificar a origem do ocorrido. Como medida de precaução, a Prefeitura recomenda que os pescadores evitem a pesca na localidade até que as causas sejam esclarecidas. Uma equipe de limpeza já foi direcionada ao local e está realizando a retirada dos peixes mortos próximos às margens.”