Masoud Pezeshkian, presidente do Irã, afirmou neste domingo (1º) que a morte do líder supremo Ali Khamenei é uma “declaração de guerra contra os muçulmanos”. De acordo com o portal g1, o presidente falou em “vingança legítima” contra os Estados Unidos e Israel.
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“O assassinato do grande comandante da comunidade islâmica é uma guerra aberta contra os muçulmanos, especialmente os xiitas em todas as partes do mundo. (…) A República Islâmica do Irã considera a vingança e a responsabilização dos autores e mandantes deste crime um dever e um direito legítimo”, afirmou o presidente em pronunciamento oficial, que lamentava a morte de Khamenei.
O governo do Irã confirmou a morte do líder supremo neste sábado (28). Horas antes do anúncio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia afirmado nas redes sociais que o líder supremo do Irã havia sido morto durante um bombardeio.
Os bombardeios contra o Irã começaram no amanhecer do dia. A ação deixou 201 mortos e 747 feridos, segundo imprensa iraniana com base na rede humanitária Crescente Vermelho. Uma nuvem de fumaça escura saindo do complexo onde Khamenei vivia em Teerã foi registrada por satélite.
O gabinete do governo do Irã declarou 40 dias de luto nacional e sete dias de feriado geral após a morte do líder supremo. Segundo a agência estatal, Khamenei foi morto em seu local de trabalho na manhã deste sábado (28).
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“É com profundo pesar e consternação que informamos que, após o ataque brutal do governo criminoso dos Estados Unidos e do regime abjeto sionista, o modelo de fé, luta e resistência, o líder supremo da Revolução Islâmica, sua eminência o grande aiatolá Ali Khamenei, alcançou a grande graça do martírio”, diz nota.
O texto considera o episódio como um “crime” e diz que “marcará uma nova página na história do mundo islâmico e do xiismo”.
“O sangue puro deste descendente do profeta fluirá como uma fonte impetuosa e erradicará a opressão e o crime americano-sionista. Desta vez, com toda a força e firmeza, e com o apoio da nação islâmica e dos homens livres do mundo, faremos com que os autores e mandantes deste grande crime se arrependam”.
Khamenei estava no comando do país por quase quatro décadas. A morte foi inicialmente confirmada pela agência estatal Fars em seu perfil no Telegram. “O líder supremo da Revolução foi martirizado”, diz a publicação, de acordo com o g1.
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O apresentador da TV estatal iraniana também anunciou a morte de Khamenei horas depois.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afirmou em suas redes sociais que Khamenei não conseguiu escapar dos sistemas de inteligência e rastreamento dos Estados Unidos, em parceria com Israel. Segundo ele, “não havia nada” que o líder supremo pudesse fazer.
“Khamenei, uma das pessoas mais malignas da História, está morto. Isso não é apenas justiça para o povo do Irã, mas para todos os grandes americanos e para pessoas de muitos países ao redor do mundo que foram mortas ou mutiladas por Khamenei e seu bando de capangas sanguinários”, escreveu Trump.

Quem era Ali Khamenei
Ali Hosseini Khamenei nasceu em 19 de abril de 1939 na cidade de Mashhad, no nordeste do Irã, em uma família de clérigos xiitas. Desde jovem, seguiu os passos do pai nos estudos religiosos, tornando-se discípulo do aiatolá Ruhollah Khomeini, homem que lideraria a Revolução Islâmica de 1979.
Khamenei participou ativamente dessa revolução, foi preso e torturado pelo regime e emergiu do caos pós-revolucionário como uma das figuras centrais da nova República Islâmica. Ocupou a presidência do país entre 1981 e 1989, período marcado pela devastadora guerra contra o Iraque, que custou mais de um milhão de vidas. Com a morte de Khomeini, em junho de 1989, foi escolhido como o novo aiatolá.
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Por 36 anos, Khamenei foi o homem mais poderoso do Irã, com autoridade acima do presidente, do parlamento e do judiciário. Era ele quem definia as diretrizes da política externa, controlava as Forças Armadas e os temidos Guardiões da Revolução, e determinava os limites do que era permitido na sociedade iraniana.
Sob sua liderança, o Irã construiu uma vasta rede de milícias aliadas pelo Oriente Médio, do Hezbollah no Líbano ao Hamas em Gaza, dos Houthis no Iêmen às facções xiitas no Iraque, transformando o país no principal patrocinador do que ele mesmo chamava de “Eixo da Resistência” contra Israel e os Estados Unidos.
Anticomunista e antiamericano por convicção, Khamenei via o Ocidente como uma ameaça civilizacional ao islã, e dedicou sua vida a construir um Irã capaz de resistir a essa influência, legado que, agora, com sua morte, enfrenta um futuro incerto.

