nsc
    dc

    Investigação

    Irã nega que avião ucraniano tenha sido derrubado por míssil 

    Na tragédia, morreram 176 pessoas, a maioria iraniano-canadenses, mas também britânicos, suecos e ucranianos

    10/01/2020 - 09h59

    Compartilhe

    Por AFP
    Acidente deixou 176 mortos
    Acidente deixou 176 mortos
    (Foto: )

    * Por Amir Havasi

    O Irã negou categoricamente nesta sexta-feira (10) a tese de que o avião ucraniano que caiu na quarta-feira perto de Teerã tenha sido derrubado por um míssil, como afirmam vários países, entre eles o Canadá, que perderam vários de seus cidadãos. Na tragédia, morreram 176 pessoas, a maioria iraniano-canadenses, mas também britânicos, suecos e ucranianos.

    O acidente ocorreu de madrugada, logo após o Irã disparar mísseis contra bases militares utilizadas pelos militares americanos estacionados no Iraque.

    Na quinta-feira, Canadá e Reino Unido disseram que o avião, um Boeing 737, foi abatido por um míssil iraniano, provavelmente por engano, e vários vídeos que apontam para esta tese foram postados nas redes sociais.

    — Uma coisa é certa, este avião não foi atingido por um míssil — disse o presidente da Organização de Aviação Civil Iraniana (CAO), Ali Abedzadeh, em uma entrevista coletiva em Teerã.

    O voo PS752 da companhia Ukraine Airlines International (UAI) decolou de Teerã rumo a Kiev e caiu dois minutos depois.

    Um vídeo de cerca de 20 segundos mostra imagens de um objeto luminoso que sobe rapidamente para o céu e toca o que parece ser um avião.

    O vídeo, que não foi formalmente autenticado pela AFP, foi publicado por vários meios de comunicação, como o jornal "The New York Times".

    — Vimos alguns vídeos — disse Abedzadeh — Confirmamos que o avião ficou em chamas por cerca de 60 ou 70 segundos. Não certo que foi atingido por algo — concluiu.

    Tese "não confirmada"

    — As informações nas caixas-pretas são absolutamente cruciais — para a investigação, disse Abedzadeh — Qualquer declaração antes da extração dos dados não é uma opinião de especialistas — ressaltou.

    O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, disse que se encontrará com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, nesta sexta-feira, depois que Kiev pediu aos países ocidentais dados sobre a tese do míssil iraniano.

    De acordo com a diplomacia ucraniana, os Estados Unidos entregaram ao presidente "dados importantes que serão tratados por nossos especialistas".

    "A tese de um míssil que atingiu o avião não está descartada, mas não está confirmada", disse Zelenski no Facebook.

    Cerca de 50 especialistas ucranianos chegaram a Teerã na quinta-feira para participar da investigação e da análise das caixas-pretas. Uma equipe canadense de dez pessoas está "a caminho" para tratar de questões relacionadas às vítimas.

    A agência canadense de segurança nos transportes aceitou um convite da autoridade de aviação civil iraniana para participar da investigação.

    Apenas alguns países do mundo, incluindo Estados Unidos, Alemanha e França, têm a capacidade de analisar caixas-pretas.

    Na quinta-feira, o Irã convidou a Boeing, fabricante americana de aeronaves, para participar da investigação.

    A Agência de Segurança dos Transporte dos EUA (NTSB, na sigla em inglês) anunciou que também participará.

    Na França, o Escritório de Investigação e Análise para Segurança da Aviação Civil (BEA, na sigla em francês) disse que recebeu um aviso oficial do Irã e "elegeu um representante credenciado para participar da investigação".

    Segundo o relatório preliminar da aviação civil iraniana, várias testemunhas observaram um incêndio no avião.

    A aviação civil deu a entender que, entre as testemunhas, havia pessoas que estavam no chão, mas também outras que estavam em outra aeronave acima do Boeing.

    Esta é a pior catástrofe da aviação civil no Irã desde 1988, quando o Exército americano alegou ter abatido por engano um Airbus da Iran Air. Nesta tragédia, 290 pessoas morreram.

    É também o acidente mais mortal com a presença de vítimas canadenses desde 1985, quando o ataque a um Boeing 747 da Air India em 1985 matou 268 canadenses.

    — Temos informações de várias fontes (indicando) que o avião foi abatido por um míssil iraniano — disse o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, na quinta-feira.

    Ele acrescentou, porém, que o caso "não foi intencional".

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Cotidiano

    Colunistas