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Joinvilense que mora em cemitério para fugir de ataques homofóbicos gera mobilização nacional

Portal publicou a história de Lourival Francisco em rede social e criou uma vaquinha online para arrecadar dinheiro e ajudá-lo na construção de uma casa

04/03/2021 - 05h00 - Atualizada em: 04/03/2021 - 07h59

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Hassan
Por Hassan Farias
 Lourival Francisco, de 49 anos, decidiu morar em cemitério para fugir de ataques
Lourival Francisco, de 49 anos, decidiu morar em cemitério para fugir de ataques
(Foto: )

Um morador de Joinville, que largou tudo para fugir dos ataques homofóbicos na comunidade onde morava e passou a viver em um cemitério de Garuva, gerou comoção nacional nesta semana. A repercussão aconteceu após a história de Lourival Francisco, de 49 anos, ser contada por um jornal de Garuva.

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O portal Razões para Acreditar publicou a história do joinvilense no Instagram na noite da última terça-feira (2). Em cerca de 14 horas, 100 mil pessoas já haviam curtido a postagem, além de centenas de comentários com palavras de carinho e solidariedade.

Além disso, o site criou uma vaquinha online para arrecadar dinheiro e ajudar na construção de uma casa para o joinvilense. A meta era chegar a R$ 50 mil e, em pouco mais de 24 horas, a plataforma já havia arrecadado cerca de R$ 56 mil, número registrado até início da manhã desta quinta-feira (4).

Preconceito o impediu de exercer sua profissão

Em entrevista ao site Folha do Norte SC, Lourival contou que a família aceitou sua sexualidade desde o início. O problema foi suportar o preconceito das pessoas no dia a dia, desde os tempos de escola. Ele chegou a se formar na faculdade de Teologia, com a ajuda financeira da mãe, mas não conseguiu exercer a profissão por causa da homofobia.

Cansado do preconceito, decidiu sair de Joinville com destino à cidade vizinha, onde tem um pedaço de terra doado pelo cunhado. Ele diz que não gosta de viver na rua, mas também não tem condições financeiras para construir uma casa no terreno.

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Enquanto isso, vive com a ajuda de desconhecidos, que doam comida e cedem espaços improvisados para dormir. Entre eles, Lourival escolheu um cemitério da localidade de Barrancos, onde "descansa" próximo de túmulos. Outra alternativa é dormir em um carro estragado estacionado em um rancho, cedido por um dos moradores da região.

O joinvilense ainda faz pequenos "bicos" pela região para conseguir dinheiro, mas nada próximo da quantia que precisa para realizar o sonho de construir a própria casa. A partir desta mobilização nacional, está a poucos dias de realizar o sonho de morar com tranquilidade e ser feliz longe do preconceito.

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