Inspirado por uma aventura do bisavô, Luis Alberto Luckow pedalou de Joinville até Florianópolis para ver de perto a Ponte Hercílio Luz no ano de seu centenário. Movido pela curiosidade, Paulo Brietzig fez o mesmo trajeto em 1926 para acompanhar a inauguração da grandiosa estrutura na capital de Santa Catarina. As viagens de bicicletas reúnem histórias que serão contadas para as próximas gerações das famílias Brietzig-Luckow.

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— Com o centenário da Ponte Hercílio Luz, voltamos às conversas em família e relembramos do meu bisavô, que em 1926 fez uma cicloviagem de Joinville até Florianópolis para ver a inauguração da ponte. Foi com certeza uma aventura e tanto — afirma Luis.

Confira fotos da chegada à Ponte Hercílio Luz

Inspirado pela aventura do bisavô

A família Brietzig ainda guarda as histórias contadas ao longo dos anos sobre a jornada de Paulo Brietzig para ver de perto a inauguração da Ponte Hercílio Luz, que ocorreu em maio de 1926. O marceneiro deixou a esposa, os filhos e o negócio em Joinville para embarcar em uma das maiores aventuras de sua vida.

Entre as pedaladas de ida e volta, a viagem durou cerca de 40 dias. Paulo foi acompanhado por um amigo que, também movido pela curiosidade, aceitou o convite para conhecer a primeira e, à época, maior ponte já construída em Santa Catarina.

Paulo Brietzig (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma das netas de Paulo, e tia de Luis, é a responsável por perpetuar as histórias da viagem que ouvia frequentemente durante a infância. Mariza Brietzig relembra que a aventura rendeu muita preocupação e até um casamento.

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— Os dois tiveram que andar pela praia, depois tinha a rua, tinha barco para atravessar os rios. E aí foram até Florianópolis. Chegaram em Florianópolis, viram a ponte nova e voltaram. Quando pararam em uma cidade [no trajeto], tinha um baile. Aí o amigo do opa disse assim: “Eu vou dançar ali”. E o opa ficou fora, olhando só pela janela. Aí o cara dançou, dançou, dançou com uma moça, né? E conversou, conversou e o opa disse: “Olha, eu vou embora” — relembra.

Paulo, então, subiu na bicicleta e voltou sozinho a Joinville. Mariza conta que sua avó, carinhosamente chamada de oma, chegou a pensar que estava viúva, já que na época não havia formas de se comunicar a distância além de cartas. Mas seu coração se tranquilizou ao ver o marido chegando são e salvo em casa após a aventura — e com memórias incríveis para contar.

Fotos históricas revelam passado da Ponte Hercílio Luz

— Aí depois de um tempo esse amigo voltou e disse assim: “Vou casar com aquela moça, gostei muito dela”. Tu vê que coincidência, que história, né? — diz Mariza.

A família ainda conta que Paulo andava de bicicleta todos os dias, principalmente para ir trabalhar na Marcenaria Brand, que ficava localizada no Centro da cidade.

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— Várias vezes fui lá com a omama, era bonito ver ele, de chapéu com postura reta. Gostava muito quando via ele passar. Sempre estava arrumando ou construindo algo em madeira. Vários galinheiros, bancos de jardim, cadeiras e até um berço que eu usei por primeiro. Sempre bem feito, com boas madeiras que até hoje o cupim não estragou — revela Mariza.

Uma das cadeiras feitas por Paulo Brietzig ainda pertence à família (Foto: Arquivo Pessoal)

Bike trip do centenário da Ponte Hercílio Luz

Inspirado na história do bisavô, Luis Alberto Luckow decidiu refazer a viagem no ano em que a Ponte Hercílio Luz completa 100 anos. Para isso, se preparou fisicamente, montou um roteiro de viagem e convidou um amigo para a aventura, o cicloturista Luiz Carletto.

— Bastante treino com pedais na região de Joinville e testando uma nova bicicleta tipo gravel (modelo projetado para rodar tanto no asfalto quanto em estradas de terra, cascalho e outros terrenos irregulares). Além disso, estudo do trajeto priorizando áreas rurais (interior) e litoral — detalha.

Luis e o amigo decidiram seguir até Florianópolis por meio do cicloturismo, fugindo do trajeto tradicional que carros e caminhões costumam fazer, como as BR’s. Foram 230 quilômetros pedalados de Joinville à Florianópolis por áreas rurais e pelo litoral.

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Veja fotos da viagem de Joinville a Florianópolis

— Para o cicloturismo, o ideal é acordar cedo e aproveitar o caminho, com tempo para curtir cada canto, com muitas fotos, contato com pessoas locais e observando a natureza em sua plenitude, afinal, viajar de bicicleta é curtir o caminho — afirma Luis.

A rota foi feita em três etapas e iniciou no sábado (30), saindo de Joinville até Balneário Piçarras. Já no domino (31). os amigos pedalaram até Porto Belo e Tijucas. Nesse trecho, foram 87 quilômetros com paisagens incríveis pelo caminho.

Na segunda-feira (1º), eles chegaram à Ponte Hercílio Luz ainda pela manhã. O céu azul, com poucas nuvens, completou o cenário que marcou o fim da viagem e a realização do objetivo que os levou até Florianópolis.

Luis conta que sempre gostou de andar de bicicleta, mas foi quando conheceu a história do bisavô que soube de onde vinha sua aptidão. Hoje, o supervisor de vendas participa de grupos de ciclismo em Joinville, entre eles o Movimento Pedala Joinville.

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