O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu um telefonema do presidente da França, Emmanuel Macron, na manhã desta terça-feira (27). A ligação, segundo a assessoria do petista, durou cerca de uma hora.

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Os dois líderes conversaram sobre a proposta de Conselho da Paz apresentada pelos Estados Unidos. A esse respeito, defenderam o fortalecimento das Nações Unidas e concordaram que iniciativas voltadas à paz e a segurança devem estar alinhadas aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios e propósitos da Carta da ONU.

O Conselho da Paz foi anunciado por Donald Trump ainda em janeiro. A iniciativa faz parte da segunda fase do plano respaldado por Washington para encerrar a guerra no território palestino. “Posso dizer com certeza que é o maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar”, ressaltou o presidente americano ao fazer o anúncio nas redes sociais.

Segundo a Casa Branca, o conselho vai discutir questões como “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.

Lula foi convidado, mas ainda não tomou uma decisão. De acordo com interlocutores do Planalto, a orientação é de cautela e de observar como os demais países convidados irão se posicionar antes de qualquer resposta formal.

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Conversa também teve Venezuela e acordo Mercosul como tema

Ainda na ligação desta terça-feira, Lula e Macron trocaram impressões sobre a situação na Venezuela. Ao condenar o uso da força em violação ao direito internacional, os políticos concordaram a respeito da “importância da paz” e da “estabilidade na América do Sul e no mundo”.

O presidente Lula reafirmou a visão de que o Acordo Mercosul — União Europeia é positivo para os dois blocos, e constitui uma importante contribuição para a defesa do multilateralismo e do comércio baseado em regras.

No início deste mês, Macron afirmou em comunicado que a França votará contra o acordo. Ao lado do país, também se posicionam outros membros do bloco europeu, como Irlanda, Hungria e Polônia. A Itália, que ameaçou fazer oposição, deu sinais favoráveis.

Para o Brasil, a maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e tem impactos que vão além do agronegócio, alcançando também diferentes segmentos da indústria brasileira.

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Entre os produtores rurais da França, o acordo com o Mercosul é visto como uma ameaça. Isso porque há um receio de concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e submetidos a padrões ambientais diferentes dos exigidos pela União Europeia.

De forma geral, o acordo comercial prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além de regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. O texto é negociado há mais de 25 anos.

Ao fim da chamada, Lula e Macron deram seguimento ao diálogo frequente que mantêm sobre a cooperação bilateral, em especial nos temas de defesa, ciência e tecnologia e energia. A esse respeito, “comprometeram-se a instruir suas equipes técnicas a ultimar as negociações em curso, com vista a conclusão de acordos ainda no primeiro semestre de 2026”, informou o governo.