O desaparecimento de uma família de Cachoeirinha, na região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, mobiliza a Polícia Civil desde o fim de janeiro. Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, estão desaparecidos há 24 dias, o que desencadeia uma investigação que busca esclarecer as circunstâncias e o paradeiro da família. Com informações do g1.

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O principal suspeito é o brigadiano militar Cristiano Domingues Francisco, ex-marido de Silvana, que está preso há uma semana. A prisão temporária tem prazo máximo de 30 dias. Em nota, a Brigada Militar informou que Cristiano será afastado do serviço policial. A investigação é acompanhada pela Corregedoria-Geral da corporação.

Silvana é filha única do casal e mora na mesma região que os pais. Ela se apresenta como vendedora de cosméticos e trabalha com os dois, que são donos de um pequeno mercado que funciona junto à residência da família.

Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar são descritos como “queridos” e “tranquilos” pelos parentes e vizinhos, e tinham um bom relacionamento com a filha.

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Veja, abaixo, uma linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação

Antes do sumiço

  • 2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar;
  • 9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal.

O fim de semana dos desaparecimentos

  • 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento. Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos naquela noite:
    – 
    20h34min: um carro vermelho entra na residência de Silvana e sai oito minutos depois;
    – 21h28min: o veículo branco de Silvana entra na garagem da casa;
    – 23h30min: outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora.
  • 25 de janeiro (domingo): alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada. Após saírem da delegacia, Isail e Dalmira não são mais vistos. O mercado da família fechou e não voltou a abrir.

Início das investigações

  • 27 e 28 de janeiro: as ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana e uma sobrinha informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos;
  • 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações;
  • 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal;
  • 3 de fevereiro: a polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos;
  • 4 de fevereiro: a Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate.

Perícias e prisão

  • 5 de fevereiro: a perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa.

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— Encontraram vestígios diversos de material genético, além de impressões digitais (…) Sangue também. Todos esses vestígios foram devidamente colhidos por eles e agora seguem para análise no laboratório do IGP — explicou, à época, o delegado Anderson Spier, que está à frente da investigação, ao g1.

  • 7 de fevereiro: o celular de Silvana é localizado após denúncia anônima, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais;
  • 9 de fevereiro: reunião de autoridades confirma que o cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim (munição não letal);
  • 10 de fevereiro: Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A polícia revela a existência de áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação; familiares e amigos realizam um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso; o filho de Silvana é encaminhado para a casa dos avós paternos.
  • 13 de fevereiro: é divulgado que o suspeito e sua atual companheira se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos;
  • 14 de fevereiro: o desaparecimento da família Aguiar completa três semanas.