O livro “Histórias à Mesa: A Culinária das Famílias Sírio-Libanesas de Florianópolis” resgata a memória gastronômica e cultural dos imigrantes que chegaram no Estado entre o fim do século 19 e o início do século 20. A obra está disponível virtualmente e reúne histórias familiares e receitas.
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A publicação conta a trajetória histórica e as receitas originais preservadas por gerações das famílias Boabaid, Cherem, Daura, Daux, Mussi e Salum. O livro também descreve como foi o período de adaptação dos imigrantes aos ingredientes disponíveis no Brasil, utilizados para recriar os costumes da terra natal.
Segundo Leyla Spada, o projeto nasceu do anseio de preservar as receitas familiares que marcam a memória afetiva dos descendentes. De acordo com ela, o material funciona como um baú que guarda os segredos culinários da comunidade.
— Conseguimos reunir seis famílias e separamos três receitas bem tradicionais para cada uma delas. Fizemos entrevistas com as famílias para realmente transmitir a essência do livro, que é contar a história desses imigrantes por meio da gastronomia— afirmou Leyla
— O interessante foi transmitir a história dessas famílias por meio da gastronomia, mostrando a trajetória dos imigrantes e como eles adaptaram as receitas com os ingredientes disponíveis no Brasil. É um belo registro histórico e cultural — disse Daniel Castro, consultor gastronômico que ajudou no desenvolvimento do livro.
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Ao todo, a publicação documenta mais de 20 receitas divididas entre acompanhamentos, molhos, doces, pastas e pratos principais, incluindo clássicos como quibes, esfirras, mjadra, charutos de folha de parreira e a sopa shish barak.
O livro também serve como uma preservação cultural, já que muitos dos preparos eram ensinados de geração em geração apenas pela tradição oral e, na maioria das vezes, sem qualquer registro, fazendo com que as receitas acabassem se perdendo com o tempo.
— Dá orgulho saber que sabemos fazer uma comida que é apreciada. Gosto de repassar as receitas. Na época, as receitas foram passadas para nós oralmente, não tinha nada escrito, e agora tem tudo escrito no livro para quem quiser aprender — disse Maria Beatriz Boabaid dos Reis Spada, uma das entrevistadas do livro.
Brasil abriga o maior número de libaneses e descendentes do mundo
Atualmente, o Brasil abriga a maior comunidade de libaneses e descendentes do mundo, segundo a Associação Cultural Brasil-Líbano, com cerca de 8,8 milhões de pessoas no país. Número superior à população do próprio Líbano, estimada em 5,6 milhões de habitantes.
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Com a imigração e a integração com os brasileiros, diversos costumes originais das famílias imigrantes perderam força, mas a culinária típica resistiu ao tempo como o principal traço de identidade cultural dessas populações, mantendo as tradições e fortalecendo o pertencimento.
Segundo George Richard Boabaid Daux, um dos entrevistados do livros, algumas receitas típicas precisaram ser adaptadas com o tempo, mas a essência original nunca se perdeu.
— A carne, por exemplo, usada no Líbano, não é a carne de gado que usamos aqui, é a carne de ovelha, então o sabor fica diferente e os temperos também. Aqui nós adaptamos, mas lá o sabor é diferente — afirmou George.

