A megaoperação realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) na quarta-feira (1º) teve como alvo o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção paulista, mas que possui atuação no estado catarinense.
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Foram mais de 320 ordens judiciais, com 151 mandados de prisão temporária. A facção começou a atuar no Estado no início dos anos 2000, nos presídios catarinenses, e ampliou a presença ao longo dos anos, com interesse na construção civil e na movimentação portuária.
Veja fotos da megaoperação
Como Santa Catarina virou área de interesse do PCC
Ao começar a atuar fora do sistema prisional, o PCC iniciou disputa com outras facções no Estado em busca do domínio de comunidades. Além disso, as rotas de tráfico internacional alteraram a estratégia adotada em Santa Catarina.
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— Eles focaram nas rotas portuárias, principalmente no acesso aos portos, para exploração do tráfico internacional de drogas — avaliou Lucas Starling, especialista em Segurança Pública e membro do Fórum Nacional de Segurança Pública, em entrevista ao Jornal do Almoço, da NSC TV.
A localização geográfica do Estado é vista como privilegiada, com proximidade a fronteiras ligadas ao tráfico, e também com grandes portos, que possuem movimentação nacional e internacional. A logística eficiente, portanto, se mostrou como fator de interesse para a facção.
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Interesse no mercado imobiliário
O superintendente da Polícia Federal em Santa Catarina, Edson Geraldo de Souza, pontua que as grandes facções têm usado o mercado imobiliário movimentado de Santa Catarina para lavagem de dinheiro.
— O crime organizado não se manifesta em ações criminosas de pequeno porte. Ele se infiltra na economia. Outro aspecto que devemos destacar em Santa Catarina é sua intensa atividade na área de construção civil, com um dos metros quadrados mais caros do Brasil. É onde as organizações encontraram um meio de lavar dinheiro, de ocultar os capitais — afirmou.
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Com isso, as operações das forças de segurança têm adotado uma nova estratégia: o alvo passa a ser o funcionamento do esquema, de acordo com Lucas Starling.
— Em vez de focar no pequeno traficante, que atua nas comunidades, mas que não tem interferência na operação, as forças de segurança têm mudado de foco para atingir a estrutura, o poder financeiro, o que é muito importante — disse o especialista.
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Entenda a megaoperação do Gaeco
Conforme o MPSC, a Operação Coluna Sul cumpriu mandados em pelo menos 30 cidades catarinenses contra suspeitos de integrarem a organização criminosa, como uma força-tarefa que acontece como desdobramento das investigações iniciadas no âmbito da operação Maserati.
Segundo a investigação, os suspeitos estariam envolvidos na prática de crimes como homicídios, organização criminosa, tráfico de entorpecentes, associação para o tráfico, e porte ilegal de armas de fogo. As ordens judiciais foram cumpridas, além de Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
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Mais de 100 integrantes do Gaeco participaram da ação, assim como 552 agentes de segurança pública, com emprego de 198 viaturas e 2 helicópteros em uma mobilização logística em cinco bases operacionais em Santa Catarina. Durante o cumprimento das ordens judiciais, um homem suspeito de integrar a facção PCC foi morto em confronto com os agentes.
Com os materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Científica catarinense realizará exames periciais para que o Gaeco dê continuidade às investigações, vinculadas à 39ª Promotoria de Justiça da Capital.
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