O presidente Lula (PT) publicou um comunicado nas redes sociais, nesta quinta-feira (2), classificando como “entreguismo” a carta enviada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos pedindo o adiamento, por 180 dias, da aplicação de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Continua depois da publicidade
“É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano”, escreveu Lula.
O presidente também afirma que “pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria” e reforçou que “nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois“.
Continua depois da publicidade
Lula cita também a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos sobre práticas brasileiras envolvendo o Pix. Ele afirma que há uma tentativa de entregar o sistema de pagamentos “a interesses estrangeiros”.
“Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele. Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros”, conclui.
Continua depois da publicidade
Veja a postagem de Lula
É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano.
— Lula (@LulaOficial) July 2, 2026
Nós sempre vamos dialogar de igual pra igual com qualquer…
Entenda a nova carta de Flávio aos EUA
A manifestação do presidente ocorre horas depois de vir a público um documento de 86 páginas encaminhado por Flávio ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). No texto, o senador argumenta que o tarifaço fortaleceu politicamente o governo Lula.
Continua depois da publicidade
“Pesquisas de opinião pública brasileiras mostram que a posição eleitoral do atual governo se fortaleceu precisamente durante os períodos em que a pressão tarifária dos EUA foi mais evidente”, argumenta Flávio em um trecho.
Flávio pede que a eventual aplicação das novas taxas seja adiada por 180 dias, período que levaria a decisão para depois das eleições presidenciais. O senador argumenta que as tarifas prejudicam a economia americana, citando que os EUA possuem um superávit comercial com o Brasil, e sugere que, em vez de tarifas generalizadas, o país use ferramentas “mais eficazes e direcionadas”, como sanções financeiras e restrições de visto baseadas na estrutura da Lei Magnitsky.
Continua depois da publicidade
“O governo atual teria esse período para se engajar em negociações de boa-fé, sem a perspectiva de dividendos eleitorais, ou enfrentaria as consequências da retomada dessas ações. Esse mesmo período daria à oposição no Congresso o tempo e a legitimidade para pressionar o governo atual a intensificar seus próprios esforços de negociação de boa-fé”, diz Flávio.
Governo respondeu EUA na quarta-feira
Paralelamente, o governo brasileiro enviou na tarde desta quarta-feira (1°), ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), uma resposta à investigação que pode resultar em novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Continua depois da publicidade
No documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Brasil afirma que os Estados Unidos não comprovaram a existência de práticas comerciais desleais e sustenta que o Pix não prejudica empresas americanas nem favorece companhias nacionais.
O governo também defende que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre remoção de conteúdos e suspensão de perfis seguem a legislação brasileira e não discriminam plataformas estrangeiras. Além disso, argumenta que as críticas dos EUA refletem divergências sobre políticas públicas brasileiras, e não barreiras ao comércio.
Continua depois da publicidade

