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Feminicídio

Mãe de grávida assassinada em Lages cobra prisão de suspeito: "Não paro um segundo de procurar"

Crime ocorreu há mais de um mês e suspeito ainda não foi encontrado

20/07/2021 - 18h57 - Atualizada em: 20/07/2021 - 19h32

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Clarissa
Por Clarissa Battistella
Raquel e Ana Júlia tinham uma relação muito próxima
Mãe e filha, Raquel (E) e Ana Júlia tinham uma relação muito próxima
(Foto: )

Um relacionamento abusivo e violento. É assim que Raquel Batista dos Santos define a relação que a filha, de 19 anos, tinha com o ex-namorado, de 34, antes de ser assassinada a tiros em Lages, na Serra de SC, há pouco mais de um mês. Grávida de dois meses, Ana Júlia Floriano foi morta dentro do próprio apartamento na tarde de uma quarta-feira, dia 16 de junho. Desde então, o suspeito está foragido.

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Na ocasião, a jovem estava com uma amiga quando o ex-namorado chegou ao endereço e invadiu o apartamento. A testemunha contou à polícia que o suspeito estava com uma arma de fogo na mão quando começou a discutir com a ex-namorada. 

Conforme a ocorrência policial, Ana Júlia foi agredida mais de uma vez, enquanto sofria ameaças de morte. Em seguida, o suspeito saiu do local, mas retornou em questão de minutos e atirou contra a jovem, que não resistiu.

- Eu não paro um segundo de procurar [pelo suspeito]. Os meus irmãos e alguns policiais amigos da família estão ajudando. Dá impressão de que foi uma morte e deu, que não tem mais importância, mas a nossa família está sofrendo demais - desabafa a mãe de Ana Júlia ao Diário Catarinense.

Segundo Raquel, ela e a filha eram muito próximas, mas Ana Júlia preferia esconder dos familiares a violência que sofria no relacionamento. 

- Eu sei dos abusos porque as amigas falavam. Eu peguei o celular dela algumas vezes, também. Vi as ameaças de morte que ela sofria para não terminar o namoro. E eu fiz de tudo para afastar ela desse monstro, porque ela foi criada com muito amor e numa família muito unida - revela.

Muito apegada à mãe e à avó, a jovem contou sobre a gravidez logo no início. E foi acolhida por elas, que se prontificaram a cuidar do bebê que estava a caminho enquanto ela continuaria seus estudos, conta Raquel. E teria sido esse desejo de manter a gestação, justamente, o motivo do término do namoro.

- Ele sabia [que ela estava grávida] e queria que ela fosse fazer um aborto, pois não queria filho. Foi onde ela resolveu não querer mais esse relacionamento - lembra Raquel.

Mãe desaprovava relacionamento da filha com o ex-namorado pelos abusos por ela sofridos
Mãe desaprovava relacionamento da filha com o ex-namorado
(Foto: )

A mãe de Ana Júlia acredita que as conversas sobre o aborto ainda estão salvas no celular da vítima, apreendido pela polícia, que desde a morte não chamou a família para ser ouvida para o andamento das investigações. 

Uma advogada chegou a ser contratada pela família da jovem para buscar alguma informação sobre o andamento do caso.

- Não sabemos de nada em relação ao trabalho que a polícia está fazendo. Nunca formos chamados. Eles [polícia] não nos passam nada. Tanto que eu mesma fui atrás de outras mulheres com quem ele [autor do crime] se relacionou e me contaram que também sofriam agressões - diz a mãe da vítima.

Na investigação pessoal, feita à própria sorte, a mulher diz que também descobriu que o responsável pela morte da filha está distante de Lages, se escondendo em outro Estado, e com ajuda de uma ex-cônjuge. Ela conta que, por não descansar enquanto não souber que o suspeito pelo crime está preso, também teme por sua vida e do outro filho:

- Me sinto insegura porque tenho medo que ele apareça para me fazer algo ou para meu filho. Afinal, se não foi preso pode ter condições de fazer qualquer outro crime.

Vídeo mostra suspeito de assassinar ex-namorada grávida em Lages correndo após o crime​ 

Investigações

Logo após o crime, a Polícia Civil instaurou inquérito por feminicídio e solicitou a prisão preventiva do suspeito, que chegou a ser flagrado por câmeras correndo próximo ao apartamento da vítima, logo depois do crime. 

A reportagem procurou a delegacia de Polícia Civil e questionou o delegado Rochel Amaral da Silva, à frente do caso temporariamente, sobre o andamento da investigação. Ele informou, apenas, que "por enquanto, não há informações para serem repassadas".

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