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Racismo

Mãe denuncia caso de injúria racial contra adolescente em escola de Joinville

Instituição diz ter denunciado envolvidos ao Conselho Tutelar e à delegacia

14/07/2022 - 15h41

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Hassan
Por Hassan Farias
Ledilce conversando com a reportagem da NSC TV
Ledilce revelou o caso à reportagem da NSC TV
(Foto: )

Um adolescente de 15 anos sofreu injúria racial dentro da sala de aula de uma escola de Joinville. O caso aconteceu em maio deste ano, mas veio à tona apenas nesta semana com o relato da mãe ao Jornal do Almoço, da NSC TV. 

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A jornalista Ledilce Fonseca explicou que o filho acompanhava a exibição de um filme sobre violência dentro da sala de aula, juntamente com os demais colegas, quando um aluno fez uma foto do adolescente. Em seguida, postou em um grupo de WhatsApp ao lado de uma legenda de com conteúdo racista.

Assim que soube a respeito do caso, a mãe procurou a escola particular para saber o que havia acontecido. E também pediu um posicionamento oficial da instituição.

— Eu estive na escola e até acredito que tanto o professor, que é o coordenador, quanto a diretora, como pessoas não concordem, mas quando a escola não se posiciona nas suas redes para dizer que não compactua, então para mim ela está sendo omissa — afirmou Ledilce.

O Colégio Positivo informou à NSC TV que manifesta "total repúdio em relação à qualquer tipo de prática discriminatória no ambiente escolar". A instituição acredita que o racismo, assim como qualquer outro tipo de preconceito, deve ser combatido com todas as forças, em todas as esferas.

O colégio ainda disse ter registrado o repúdio junto às famílias envolvidas e ter denunciado os infratores ao Conselho Tutelar e à Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idosos (Dpcami).

Advogada aponta papel de protagonismo da escola

A advogada Cintia Pinto da Luz, do Centro de Direitos Humanos de Joinville, explicou à NSC TV que é necessário a escola assumir um papel de protagonismo em situações como a ocorrida com o adolescente. Segundo ela, é preciso propôr debates com os alunos para combater o racismo, promovendo uma mudança cultural dentro das salas.

— E necessário que a gente resgate conceitos humanistas e que isso se reflita como um todo na sociedade. E a escola é a mola propulsora disso, é quem tem a responsabilidade de formar toda uma geração.

Cintia ainda reforça que a escola tem responsabilidade de apresentar um projeto a longo prazo para que as crianças, jovens e adolescentes sejam, no futuro, pessoas inseridas no seio da comunidade e com princípios não violadores dos direitos humanos.

Veja a nota da escola na íntegra:

"Manifestamos nosso total repúdio em relação a qualquer tipo de prática discriminatória em nosso ambiente escolar. Acreditamos que o racismo, assim como qualquer outro tipo de preconceito, deve ser combatido com todas as forças, em todas as esferas, e, por isso, ele é um dos temas recorrentes em nossas aulas e ações educativas. Inclusive, no momento em que foi registrado o incidente em questão, os estudantes estavam assistindo justamente um filme que fala sobre o racismo. Acreditamos que é papel da escola orientar, conscientizar e educar seus estudantes para a cidadania e buscamos essa prática insistentemente em nossas salas de aula.

Além disso, também temos ações de conscientização promovidas on-line e oferecidas aos alunos e disponibilizadas aos pais, para que possamos ajudar às famílias nesse papel importante de formar cidadãos. Em maio, por exemplo, nossos convidados foram os advogados criminalistas Victoria Esmanhotto e Felipe Moraes, que abordaram as implicações legais de crimes como o racismo realizados por adolescentes, como forma de conscientização e responsabilização dos estudantes por seus atos.

Mesmo assim, infelizmente, incidentes isolados acabam acontecendo, como foi esse caso. Por não ter acontecido em um canal aberto ou pertencente à instituição, não temos como controlar ou impedir esse tipo de acontecimento, mas registramos nosso repúdio junto às famílias envolvidas e denunciamos os infratores ao Conselho Tutelar e à Delegacia da Criança e do Adolescente, a fim de que as ações legalmente cabíveis, nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente, sejam aplicadas pelas autoridades competentes.

Tais ações reforçam o nosso compromisso e posicionamento claro de que, naturalmente, na condição de educadores, repudiamos veementemente qualquer prática discriminatória.

Certos de que estamos fazendo todo o possível para desestimular ações como a relatada por vocês, agradecemos se puderem nos ajudar nessa tarefa importante de conscientização da comunidade para problemas dessa natureza, que, infelizmente, ainda são muito comuns em nossa sociedade. Acreditamos que o papel da mídia é fundamental nessa importante tarefa e nós colocamos à disposição para contribuir com essa pauta."

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