Brasília abriga o maior parque urbano planejado da América Latina, um gigante de 420 hectares que desafia as proporções das metrópoles brasileiras. Muito além de uma área verde, o Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek é um museu a céu aberto: um espaço onde o urbanismo de Lúcio Costa, o paisagismo de Burle Marx e a arquitetura de Niemeyer se encontram para criar o pulmão pulsante da capital federal.

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Galeria a céu aberto

O que torna este espaço um ícone nacional não é apenas a sua metragem quadrada, mas a convergência de talentos que moldaram a identidade visual do Brasil moderno. Caminhar pelo parque é, na prática, visitar uma galeria de arte a céu aberto. O projeto urbanístico de Lúcio Costa ganha vida nos traçados que integram a natureza ao desenho da cidade, enquanto o paisagismo de Roberto Burle Marx organiza a flora local de forma sinfônica.

A arquitetura leva a assinatura inconfundível de Oscar Niemeyer e, em um detalhe que encanta os olhos mais atentos, os banheiros e áreas de convivência são adornados pelos azulejos geométricos de Athos Bulcão. É um raro exemplo mundial onde o design de elite se tornou cenário cotidiano para atividades físicas e convivência social.

De Rogério Farias a Sarah Kubitschek

A história do nome que hoje estampa os portais do parque reflete a trajetória política da capital. Inaugurado em 11 de outubro de 1978, o espaço inicialmente homenageava Rogério Pithon Farias, filho do então governador do Distrito Federal, Elmo Serejo Farias. Foi somente em 1997 que uma nova lei alterou a denominação para Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek.

A mudança fez justiça à memória da ex-primeira-dama, esposa de Juscelino Kubitschek, reconhecida pelo trabalho social e filantrópico que desempenhou durante a construção de Brasília, reforçando o simbolismo do parque como um espaço democrático e acolhedor.

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Oásis urbano e a memória afetiva do Cerrado

Em uma cidade que nasceu longe do litoral, o Parque da Cidade sempre cumpriu o papel de “praia” para os brasilienses. Um dos maiores símbolos desse imaginário é a icônica Piscina de Ondas. Embora desativada há anos, ela permanece no local como um monumento à nostalgia, servindo hoje de palco para eventos culturais e exibições de cinema ao ar livre.

Esse espírito de adaptação é o que mantém o parque pulsante, atraindo cerca de 790 mil visitantes por mês, um fluxo que evidencia sua importância vital para a dinâmica da capital.

Complexo multifuncional

Diferente de reservas focadas exclusivamente na preservação contemplativa, o Parque Sarah Kubitschek é um organismo vivo de serviços. Ele abriga:

  • Kartódromo de nível profissional e centro hípico;
  • O tradicional parque de diversões Nicolândia;
  • Pista de caminhada e ciclismo com 10 quilômetros de extensão (nas voltas completas);
  • Centenas de churrasqueiras e quadras poliesportivas.

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É o lugar onde o funcionalismo público e as famílias brasilienses se misturam sob a sombra dos ipês. Em um país que busca soluções para o sufocamento das grandes cidades, o parque brasiliense se apresenta como um modelo de que o planejamento urbano, quando generoso com o espaço verde, é o maior legado que uma capital pode deixar para o seu povo.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.