O Corpo de Bombeiros (CBMSC) localizou outras partes do corpo da corretora gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, morta e esquartejada em Florianópolis, durante buscas nesta terça-feira (17), nas margens do Rio Tijucas, em Major Gercino, na Grande Florianópolis.

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Segundo a corporação, falta apenas uma parte, correspondente à cabeça da vítima. No total, seriam cinco sacos com restos mortais de Luciani, conforme a Polícia Civil. As buscas continuam.

A operação de buscas ocorre após um pescador encontrar, na segunda-feira (16), um saco preto contendo duas mãos em um rio da região. No dia 9 de março, o troco da vítima já havia sido localizado.

Buscas com drone e embarcação

Conforme os bombeiros, as buscas contaram com uso de drone e uma embarcação. As equipes fizeram varredura aquática em aproximadamente cinco quilômetros do rio, desde o afluente na Ponte Itereré até a região conhecida como Comunidade do Louro. O drone permaneceu em voo por aproximadamente 1 hora e 30 minutos, ajudando na varredura da área e na identificação de possíveis vestígios, conforme os bombeiros.

Inicialmente, os bombeiros não encontraram novos vestígios na busca aquática. Por isso, as equipes passaram a concentrar esforços em buscas terrestres nas margens do rio, nas proximidades do ponto onde foram encontrados os primeiros restos mortais. Foram localizados os dois pés, partes compatíveis com as pernas, além de braços e antebraços.

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Quem era Luciani?

Morte da corretora ocorreu em 4 de março

De acordo com a Polícia Civil, Luciani teria sido morta entre os dias 4 e 5 de março. O corpo permaneceu até a madrugada do dia 7 no apartamento dela, quando foi retirado e levado para uma área rural e jogado em um rio, dividido em cinco sacos. O caso é tratado como latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte.

Quem são os suspeitos pela morte?

De acordo com documentos obtidos pela NSC TV, entre os investigados estão um homem de 27 anos, a companheira dele, de 30, o irmão do suspeito, um adolescente de 14 anos, e a mãe dos dois. Eles eram vizinhos de Luciani em um residencial na região do Santinho.

O homem de 27 anos e a companheira tentaram fugir para o Rio Grande do Sul, mas foram presos na cidade de Gravataí, pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na quinta-feira (12).

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Também aparece na apuração uma mulher de 47 anos, administradora do residencial. Ela foi presa em flagrante na quinta-feira, após a polícia encontrar pertences da corretora em um dos apartamentos do prédio.

Família notou desaparecimento da corretora

Luciani era natural de Alegrete, no Rio Grande do Sul, a corretora de imóveis foi vista pela última vez na Praia dos Ingleses, no Norte da capital catarinense, em 4 de março. Ela morava em Florianópolis.

Os familiares perceberam que havia algo estranho com Luciani no dia 6 de março, quando ela não entrou em contato com a mãe para desejar feliz aniversário.

— Ela nem um momento entrou em contato com a nossa mãe, tava reclusa nos grupos e a minha irmã mandou uma mensagem para ela e começou a ligar porque minha irmã achou estranho. E aí ela mandou a mesma coisa para mim “correria aqui” e mandou uma figurinha, energias positivas. A minha irmã nunca foi de mandar a figurinha e nem aqueles emoji. Ou ela manda um áudio ou ela escreve e manda digitado.

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boletim de ocorrência foi registrado apenas nesta segunda-feira (9), após a família deconfiar de erros gramaticais em mensagens enviadas pelo celular da corretora. Em uma delas, Luciani diz que está bem, mas que estaria sendo perseguida por um ex-namorado.

Como corpo foi encontrado?

Na segunda-feira, 9 de março, um tronco foi encontrado em Major Gercino, na Grande Florianópolis. Dois dias depois, exames de DNA confirmaram que o cadáver era de Luciani.

Como polícia chegou à suspeita?

Na quinta-feira, 12 de março, a administradora do residencial foi presa em flagrante por suspeitas de envolvimento no caso. A prisão temporária dela foi homologada pela Justiça pela suposta prática de receptação. Segundo a polícia, diversas compras estavam sendo feitas no CPF de Luciani desde 6 de março.

As mercadorias seriam entregues em um endereço no norte da Ilha. Os policiais realizaram vigilância no local e avistaram o momento em que um adolescente chegou para retirá-los. Ele, então, teria dito que as mercadorias eram de seu irmão, e que moraria com a família no mesmo bairro que Luciani, local em que posteriormente foi encontrado o carro da mulher desaparecida.

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No endereço, a administradora teria indicado o apartamento onde a família moraria. Questionada pela polícia quanto a compras online recentes, uma das testemunhas deixou a entender que haveria uma ligação entre a administradora, os irmãos e o crime, segundo a polícia.

Os policiais ainda descobriram pertences da vítima, como notebook e televisão, além de mercadorias compradas, escondidos em outro apartamento, que estava desocupado e trancado, e estava sob responsabilidade da suspeita.