Após provocar o caos entre moradores de Luiz Alves, agora o maruim virou pesadelo na rotina de quem vive na vizinha Ilhota. O problema vem causando mal-estar nas localidades no entorno da região do Baú e, até, motivou ofícios ao governo do Estado pedindo por uma solução.
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A infestação de maruim em Ilhota é uma questão crônica, contam moradores do Braço do Baú, principal região afetada na cidade. Nos últimos tempos, porém, o problema ficou ainda maior. Quem convive com a infestação diariamente relata casas de portas sempre fechadas (mesmo em meio ao calor), ventiladores ligados 24 horas por dia e muito (mas muito) repelente.
— Tem que botar calça, casaco, luvas, nesse calorão. Os bichos avançam no rosto da gente — conta a moradora Jaqueline Fischer.
Veja fotos do pesadelo em Ilhota
Quem não consegue escapar dos maruins carrega no corpo as inúmeras picadas. Pode parecer um problema doméstico de cidade de interior, mas os reflexos são sentidos nas empresas. O empreendedor Rafael Pelz, por exemplo, conta que já viu funcionário pedir demissão para mudar de cidade por causa da alergia do filho à picada do mosquito.
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— Eles não aguentaram e foram embora.
Problema surgiu após tragédia de 2008
A agricultora Tatiana Reichert conta ter percebido o problema logo após a tragédia de 2008:
— Como o maruim se procria na decomposição orgânica, depois da tragédia ele teve muito material para se procriar e não tinha mais o predador. E de para cá, a situação só tem se tornado insustentável. A gente já está há muito tempo lutando, há muito tempo correndo atrás.
Ela recorda, inclusive, que há cinco anos os moradores fizeram um ofício para as secretarias de Estado da Saúde, Meio Ambiente e Agricultura pedindo atenção ao problema. Mas nunca tiveram respostas.
A prefeitura de Ilhota concorda com Tatiana. Diz que fatores como o desmatamento após a tragédia, além do calor e da umidade, podem ter contribuído para o aumento da infestação nos últimos anos. O governo local pontua que faz ações com larvicida biológico em outros tipos de mosquito, mas que não têm o mesmo efeito sobre o maruim.
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De acordo com o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Diego Maicon Scheis, a prefeitura está em contato com pesquisadores de Luiz Alves para tentar implementar testes com um novo larvicida na região. A ideia é iniciar a aplicação em espaços públicos, como escolas e unidades de saúde, assim que houver liberação legal da Anvisa, o que pode ocorrer no segundo semestre deste ano.
O larvicida — que mata as larvas do inseto — foi desenvolvido com substâncias naturais e tecnologia que faz com que o produto libere os componentes durante um mês. O inseto (Culicoides spp.), também associado à transmissão da Febre Oropouche, foi combatido com sucesso no ano passado.
Os resultados foram apresentados no final de janeiro e a redução de 86% é confirmada nos relatos dos habitantes, comenta o coordenador do projeto, Jean Carlos Hoepfner:
— Um fato que me marcou muito foi o relato de uma professora que pensou em parar de dar aula de Educação Física porque se coçava o tempo todo. Depois das aplicações, no fim do ano, ela conseguiu dar aula de shorts, algo que não fazia há muitos anos. Em Luiz Alves, o maruim tinha saído do controle.
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