nsc
santa

Pandemia

Médica de Blumenau deixa filha recém-nascida em casa para voltar à emergência: "colegas estão exaustos"

Infectologista teve a pequena Olívia no início do ano e, mesmo assim, retorna à linha de frente para desafogar companheiros de profissão

26/02/2021 - 05h28 - Atualizada em: 27/02/2021 - 11h32

Compartilhe

Augusto
Por Augusto Ittner
Sabrina Sabino é infectologista e teve a segunda filha há pouco mais de um mês.
Sabrina Sabino é infectologista e teve a segunda filha há pouco mais de um mês.
(Foto: )

Não vai dar nem tempo de celebrar o segundo “mesversário” da pequena Olívia. A médica Sabrina Sabino, de Blumenau, que teve a bebê no início deste ano, vai voltar à linha de frente do combate ao coronavírus. Em meio ao colapso no sistema de saúde, a infectologista retorna à emergência e deixará a filha em casa com os avós e uma babá. A exaustão de colegas de trabalho é o que motiva o regresso precoce ao trabalho.

> Receba notícias de Blumenau e do Vale por WhatsApp. Clique aqui e entre no grupo do Santa

Nos grupos equipes de saúde no WhatsApp, relata Sabrina, o clima é de tensão. Saturados por conta do trabalho ininterrupto, médicos e enfermeiros pedem ajuda para colegas. Três horas aqui, seis acolá. Quem pode ajudar a cobrir um pouco a jornada do outro auxilia, também, profissionais a descansarem em meio à rotina de atendimentos de pacientes nos hospitais. É esse cenário que estimulou a recém-mãe a interromper o tempo com a filha.

— A situação é de caos. Todos os profissionais de saúde estão exaustos, é algo que nunca tínhamos visto. Ninguém aguenta mais. Estão nos pedindo ajuda. Qualquer tempo é bem-vindo e por isso me se senti na obrigação de voltar — conta a médica.

> Como está a vacinação contra a Covid-19 em SC? Clique aqui e confira o Monitor da NSC

Sabrina Sabino teve a segunda filha, Olívia, no dia 5 de janeiro e, naquele momento, o cenário era bem diferente do atual. Mesmo assim, 13 dias depois do nascimento, a médica já tinha voltado atender pacientes por telemedicina. Agora, quase dois meses mais tarde, o cenário é de colapso no Estado. Sabrina conta o quão difícil é, enquanto especialista na área, olhar do lado de fora tudo que acontece em Santa Catarina.

— É impossível, ainda mais para mim enquanto infectologista. A minha cabeça está nos hospitais, está nas pesquisas clínicas, querendo que pacientes se recuperem cada vez mais rápido. Não tem como não trabalhar.

— Tenho medo? Claro que tenho. Minha filha ficou internada por cinco dias com uma síndrome respiratória logo depois que nasceu. Não era Covid, mas não foi fácil. Então imagine meu medo? Mas agora é hora de pensar nos outros. Não tenho o direito de ser egoísta. Colegas meus estão pedindo “por favor”. Há cirurgiões indo ajudar, mesmo não sendo a área deles. Todos estão mobilizados — descreve Sabrina.

> Itajaí fecha praias e suspende aulas a partir desta sexta-feira

Levantamento feito pelo jornalista de dados da NSC Comunicação, Cristian Weiss, mostra que Santa Catarina chegou nesta quinta-feira (25) à marca de 31.859 casos ativos de Covid-19. São pessoas em tratamento contra a doença e capazes de transmitir o coronavírus. Em apenas 14 dias, o Estado assistiu ao aumento de 70% no total de pacientes o vírus ativo. Soma-se isso à aceleração de internações e situação de colapso no sistema de saúde e entende-se o cenário de preocupação.

— O relato dos médicos é de que esse momento é muito pior do que o primeiro e o segundo pico. Estão acontecendo internações e de pessoas mais jovens que cada vez procuram mais a emergência.

Sabrina, que deixará duas filhas em casa, Olívia, de 50 dias, e Maria Flor, de dois anos, tem um único pedido àqueles que desrespeitam as regras contra o coronavírus:

— Empatia.

Colunistas