O médico afastado do Hospital Beatriz Ramos, em Indaial, após a morte de mãe e bebê, já tem data para prestar depoimento. Ele é o último profissional a ser ouvido pela Polícia Civil. Todos os outros conversaram com o delegado Ícaro Malveira entre quarta-feira (15) e sexta-feira (17).
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O depoimento do médico afastado também estava previsto para a semana passada, mas foi reagendado a pedido da defesa do profissional. Ele deve responder às perguntas da polícia na quarta (22). Após essa etapa, a expectativa é que o inquérito já possa ser concluído.
Outros quatro médicos do Hospital Beatriz Ramos já foram ouvidos e dois do Hospital Santo Antônio. Familiares da jovem Maria Luiza Bogo Lopes, que estava grávida de sete meses, também prestaram depoimento. Além dos relatos, a polícia tem em mãos os prontuários médicos e um laudo da Polícia Científica.
O Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) informou na sexta-feira (17) que também abriu uma sindicância para apurar a morte de mãe e bebê após quatro idas consecutivas ao Hospital Beatriz Ramos, de Indaial. O órgão é responsável por fiscalizar a atuação dos médicos.
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Laudo aponta falhas no atendimento médico
O laudo feito pela Polícia Científica, com base nos prontuários médicos, apontou falhas em duas das quatro vezes que a paciente passou pelo Hospital Beatriz Ramos se queixando de fortes dores pelo corpo. O documento foi entregue à Polícia Civil na última sexta-feira (10) e permitiu ao delegado Ícaro Malveira fazer alguns apontamentos.
Os principais dele são que a jovem deveria ter sido internada na segunda visita ao hospital, quando os exames começaram a mostrar as plaquetas baixando. Isso porque se tratava de uma gestação de alto risco, considerando que Maria Luiza tinha recebido recentemente o diagnóstico de diabetes gestacional. Nessa ida à unidade de saúde, a mãe da jovem diz que a médica cogitou se tratar de dengue.
A Polícia Civil diz que o exame para essa doença só foi feito quando a grávida chegou ao Hospital Santo Antônio, em Blumenau, onde passou por um parto de emergência do qual nem ela nem o bebê resistiram. O resultado apontou dengue hemorrágica. Antes de ir para essa unidade, porém, ela teve o terceiro atendimento no Beatriz Ramos, onde não passou por exames. Foi medicada e liberada.
Na quarta e última ida ao hospital de Indaial, Maria Luiza chegou em um carro da prefeitura, levada pela equipe do posto de saúde onde fazia o pré-natal. Foi lá que a jovem de 18 anos buscou ajuda após não melhorar com o atendimento feito no Beatriz Ramos. Ela já estava com partes do corpo roxas, apresentava desidratação e foi logo transferida para Blumenau, onde chegou em estado grave.
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Uma hora e meia após passar por um parto de emergência em que a filha morreu, a mãe também não resistiu. A família enterrou as duas no fim de semana de Páscoa.





