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    Médico cita "panorama assustador" da Covid-19 e cobra novas restrições em Santa Catarina

    Infectologista catarinense Amaury Mielle, que integra um grupo de estudos europeu sobre o coronavírus, afirma que novas medidas precisam ser adotadas para frear a contaminação no Estado

    12/01/2021 - 05h00 - Atualizada em: 12/01/2021 - 13h52

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    Augusto
    Por Augusto Ittner
    Praia do Rosa, no fim do ano passado.
    Praia do Rosa, no fim do ano passado.
    (Foto: )

    Baladas, aglomerações, temporada de verão no “velho normal” do litoral de Santa Catarina e desrespeito às medidas de distanciamento social. Soma-se isso à nova variante mais transmissível do coronavírus e à tendência de aceleração da pandemia no Estado na segunda quinzena de janeiro e o resultado é um “panorama assustador”. É assim que o infectologista Amaury Mielle se refere ao contexto atual da Covid-19 em território catarinense. Ele cobra medidas mais restritivas para frear a propagação do vírus.

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    Integrante de um grupo de estudos ligado à sociedade europeia de infectologia (ESCMID, na sigla em inglês), o médico blumenauense afirma que é praticamente impossível reverter o atual cenário dependendo apenas do bom senso da população. 

    Ele cita que Santa Catarina vive “um momento de total irresponsabilidade social” e defende que os gestores públicos adotem restrições que ao menos inibam a atuação desenfreada de casas noturnas e festas que promovam aglomeração em ambientes fechados.

    – O panorama é assustador. Estamos na corrida contra o tempo. Podemos até iniciar um programa de vacinação ainda neste mês, mas para que a gente contenha a disseminação, para que não tenhamos um drama maior, o momento agora é de fazer medidas restritivas mesmo, de impacto social, para que haja uma dificuldade das pessoas em promover esse tipo de aglomeração – sustenta o infectologista.

    > Leia também: Enfermeira de UTI em Blumenau descreve “velórios de 10 minutos” das vítimas de Covid-19 em hospital

    Mielle se baseia em um estudo publicado pela renomada revista científica Science no dia 15 de dezembro do ano passado e que aponta festas e reuniões com mais de 10 pessoas em ambientes fechados como situações que impactam em até 58% o índice de transmissibilidade do vírus. 

    Isso significa, conforme o estudo, que se eventos como esse foram vetados e se houver fiscalização, é possível reduzir pela metade a propagação do coronavírus em Santa Catarina. É com essa base na ciência que o infectologista argumenta a necessidade de novas restrições.

    — São medidas que focam onde mais ocorre a transmissão: bares, restaurantes, baladas, encontros, comércios onde haja pouca circulação de ar e com as pessoas muito tempo em contato. Está na hora de revermos a forma com que permitimos que as pessoas tenham uma vida normal. Não se trata de uma interferência sobre o direito de ir e vir, mas tornam-se necessárias medidas em áreas onde não há respeito da população — analisa.

    “Contato inevitável”

    Mielle destaca que a necessidade em adotar essas restrições se dá por conta da incapacidade em manter alguns tipos de estabelecimentos abertos sem que haja risco de contaminação com o novo coronavírus:

    — Abrir um bar implica em uso de álcool gel, distanciamento... Isso nunca vai acontecer. Está aí a prova definitiva. As pessoas vão ficar a maior parte do tempo sem máscaras, se é que vão utilizá-la em algum momento, vão falar alto, com emissão maior de gotículas, e mesmo que seja um ambiente arejado, há um contato inevitável. Acho que temos que repensar a maneira com que permitimos que esse tipo de irresponsabilidade social esteja se disseminando.

    Situação do coronavírus em SC

    Santa Catarina registrou nesta segunda-feira (11) mais 41 mortes por causa do coronavírus, e agora soma 5.677 óbitos desde o início da pandemia. Mais 1.901 casos também foram confirmados, contabilizando 522,4 mil pessoas infectadas até agora.

    Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), em boletim com as informações repassadas ao Ministério da Saúde. Conforme a checagem dos dados feita pela reportagem do Diário Catarinense, 41 novas mortes foram incluídas na base de dados, enquanto um caso do mês passado foi descartado.

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