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    Livres do coronavírus?

    Médico critica comportamento de jovens em SC: "sentem que têm passaporte de segurança"

    Infectologista lamenta falta de cuidados durante a pandemia e lembra que irresponsabilidades podem resultar em aumento de casos

    15/10/2020 - 14h19 - Atualizada em: 15/10/2020 - 17h29

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    Bianca
    Por Bianca Bertoli
    Aglomeração em ruas da Praia do Rosa durante a noite no feriado prolongado de Nossa Senhora Aparecida
    Aglomeração em ruas da Praia do Rosa durante a noite no feriado prolongado de Nossa Senhora Aparecida
    (Foto: )

    A pandemia do coronavírus não acabou em Blumenau ou em qualquer outro canto do estado, mas o comportamento de muitos parece sinalizar justamente o contrário. O relaxamento com as normas, como o uso de máscara e o distanciamento social, ficou ainda mais evidente no último feriado, com imagens de lotações em praias que viralizaram na internet. Para o médico infectologista Amaury Mielle, a falta de bom senso principalmente dos jovens tem um preço alto:

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    — Será que as pessoas não pensam que podem ser responsáveis por um óbito no hospital? Infelizmente a morte dessas vítimas foi banalizada, isso é o mais doloroso — desabafa.

    Mielle acredita que os descuidos podem ser explicados por alguns fatores, como o fato do país nunca ter adotado um plano de contingência claro o suficiente, o que resultou no sentimento de “cada um por si”, mas principalmente pela falta de compromisso com o próximo. Para o médico, a pandemia ressaltou o quão egoísta o ser humano consegue ser.

    — É desinformação associada a ações egocêntricas. Eu não quero generalizar, mas esses jovens sentem que têm um passaporte de segurança. Se o coronavírus atingisse a população de maneira homogênea (a maioria dos mortos tinha mais de 60 anos), talvez o comportamento fosse outro. Mas o que ninguém fala é que tem jovem morrendo, ficando com sequelas — alerta.

    A solução? Na opinião do infectologista, os números já não assustam e a não ser que os leitos de UTI atinjam o limite de ocupação, dificilmente as posturas mudarão. Ou seja, só a vacina pode resolver o problema.

    Segunda onda?

    Com restaurantes cheios, praias lotadas, confraternizações e tantos outros comportamentos, há chances de outro pico do coronavírus acontecer em novembro, como previu a infectologista Sabrina Sabino? Para Mielle, não há previsão de uma “segunda onda” em Blumenau porque a cidade sequer saiu da primeira.

    — Eu chamaria de reincidência. Não temos o controle do vírus, pode ter um aumento de casos, não há dúvida. E aí, como convencer as pessoas de que elas precisam ficar em casa? Quem tem coragem em ano eleitoral de chegar e mandar fechar bares? É muito complicado. (O combate à pandemia) Começou errado vai terminar errado — opina.

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