Preso em Praia Grande, no litoral de São Paulo, o médico Neandro Schiefler, de 46 anos, estava foragido desde o ano passado por estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude contra pacientes em Itajaí, onde atuava como clínico geral na rede municipal de saúde, na época em que foi preso pela primeira vez.
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O caso veio à tona em 2019, após um denunciante anônimo, enviar para a Polícia Civil um CD com vídeos dos abusos. Essas filmagens eram feitas pelo próprio médico, e de acordo com a polícia, cerca de 10 mulheres apareciam nos registros, e a maioria teria sido dopada antes dos abusos.
Antes de se tornar foragido, ele foi preso enquanto trabalhava em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Cordeiros, no dia 16 de fevereiro de 2019. O mandado de prisão era temporário, e ele ficou preso até setembro daquele ano, quando ganhou da Justiça o direito de responder ao processo em liberdade.
Essa operação foi batizada de Jaleco Branco. Além de Itajaí, o médico também teria cometido os crimes em Itapema e Navegantes. Ainda em 2019, Neandro Schiefler também teria confirmado durante interrogatório que gravava as vítimas. O médico teria dito ao delegado responsável que filmava os procedimentos por precaução, caso seu atendimento fosse questionado pelas pacientes.
Na época, a Polícia Civil já havia identificado três das vítimas que apareciam nos vídeos. Uma delas foi atendida por embriaguez em Itapema, em 2017, outra estava imobilizada com maca e cervical em Navegantes, em 2015, e a terceira se apresentou voluntariamente dizendo ter sido atendida em 2019, em uma unidade de saúde de Itajaí.
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Intervenção do CRM
Em 2019 e 2020, o Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina determinou a interdição cautelar do registro profissional de Neandro, que se tornou alvo de um processo ético profissional.
No entanto, o CRM cassou o registro permanentemente após julgamento do Tribunal Superior de Ética Médica do Conselho Federal de Medicina. A decisão foi publicada em junho de 2023, levando em consideração uma série de artigos do conselho que Neandro infringiu. Confira quais:
- Art. 22. Deixar de obter consentimento do paciente ou de seu representante legal após esclarecê-lo sobre o procedimento a ser realizado, salvo em caso de risco iminente de morte;
- Art. 23. Tratar o ser humano sem civilidade ou consideração, desrespeitar sua dignidade ou discriminá-lo de qualquer forma ou sob qualquer pretexto;
- Art. 24. Deixar de garantir ao paciente o exercício do direito de decidir livremente sobre sua pessoa ou seu bem-estar, bem como exercer sua autoridade para limitá-lo;
- Art. 30. Usar da profissão para corromper costumes, cometer ou favorecer crime;
- Art. 32. Deixar de usar todos os meios disponíveis de promoção de saúde e de prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças, cientificamente reconhecidos e a seu alcance, em favor do paciente;
- Art. 38. Desrespeitar o pudor de qualquer pessoa sob seus cuidados profissionais;
- Art. 40. Aproveitar-se de situações decorrentes da relação médico-paciente para obter vantagem física, emocional, financeira ou de qualquer outra natureza.
Condenação aconteceu em 2025
A condenação ocorreu em outubro de 2025, quando a Segunda Vara Criminal da Comarca de Itajaí, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), determinou pena de 16 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude.
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Foragido foi identificado por câmeras de monitoramento
Conforme apurado pelo g1, o médico foi identificado por câmeras de monitoramento de Praia Grande, no último sábado (2). Após o reconhecimento facial, agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) abordaram Neandro na Avenida dos Sindicatos, no bairro Mirim.
Durante a abordagem, os guardas constataram que ele era procurado pela Justiça catarinense. Em seguida, o homem foi encaminhado ao 1º Distrito Policial (DP), onde a prisão foi formalizada.
Segundo o mandado de prisão, a Justiça concluiu que o médico praticou violação sexual mediante fraude em três ocasiões, além de estupro de vulnerável contra pessoas que, por enfermidade ou deficiência mental, não tinham condições de oferecer resistência.
Ainda conforme a decisão judicial, Neandro se aproveitou da condição de médico para cometer os crimes, com abuso de poder e violação do dever inerente à profissão. O mandado de prisão tem validade até 2045.
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O NSC Total não localizou a defesa do médico até a publicação da reportagem.
Como funciona sistema de reconhecimento facial que identificou médico?
*Contém informações do portal G1






