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Investigação

Médicos de Joinville são suspeitos de fraudar registro do ponto no Hospital Regional

Dois profissionais foram presos em flagrante na manhã desta terça-feira

15/12/2020 - 08h02 - Atualizada em: 16/12/2020 - 08h51

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Hassan
Por Hassan Farias
Hospital Regional Hans Dieter Schmidt
Hospital Regional Hans Dieter Schmidt
(Foto: )

Onze médicos de Joinville estão sendo investigados por suspeita de fraudar o registro do ponto de trabalho no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt. Segundo o inquérito policial, eles registravam as digitais e saíam da unidade sem cumprir a jornada integral, voltando apenas no fim do expediente para marcar a saída.

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Nesta segunda-feira, a Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagraram a Operação Ponto Fraudado para cumprir mandados de busca e apreensão na casa dos profissionais. Dois médicos foram presos em flagrante por falsidade ideológica.

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Segundo o delegado da Divisão de Investigação Criminal (DIC), Rafaello Ross, os dois registraram o ponto por volta das 9 horas da última segunda-feira (14), deixaram o hospital e foram encontrados dormindo em casa na manhã desta terça-feira.

- Possivelmente, pelo que percebemos na investigação, eles iam retornar hoje como se tivessem em 24 horas de jornada de trabalho - explicou.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação começou em setembro após denúncia da direção do próprio hospital e os médicos foram monitorados por 45 dias. Eles são todos concursados, deveriam cumprir 80 horas mensais de trabalho presencial e atuam em especialidades diferentes.

- Além de não ser cumprida a carga horária, percebemos que alguns profissionais de saúde ainda receberam fraudulentamente o adicional noturno e hora extra sem trabalhar a jornada integral.

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Segundo o delegado, os 11 médicos investigados correspondem a apenas 5% do total de profissionais que trabalham no Hospital Regional. Ross afirma que é preciso valorizar os médicos que estão na linha de frente, principalmente, no combate à Covid-19, em um ambiente de UTI lotada e sobrecarga de trabalho.

Próximos passos da investigação

A Polícia Civil agora vai terminar os dois autos de prisão em flagrante e formalizar o cumprimento das diligências realizadas na manhã desta terça-feira. Segundo o delegado, os médicos investigados serão intimados para prestar depoimento, quando terão acesso ao contéudo apurado no decorrer da investigação.

Após esse processo, o delegado deve concluir o inquérito e apresentar ao Ministério Público. Segundo Ross, os suspeitos devem responder por falsidade ideológica.

Hospital colaborou com as investigações

Em nota, o Hospital Regional informou que, com apoio da Secretaria de Estado da Saúde, procurou os órgãos competentes para investigação após receber denúncias de que alguns servidores registravam entrada e saída do hospital, porém, não permaneciam trabalhando na instituição. Segundo o hospital, a ação organizada pelo Gaeco resultou no encaminhamento de profissionais para oitivas.

A nota também informa que o hospital e a secretaria estadual da saúde estavam cientes da operação e colaboraram durante toda a investigação, disponibilizando acesso ao ponto eletrônico de servidores e imagens das câmeras de segurança da instituição.

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