O menino de três anos que morreu após ser espancado pelo próprio pai por não dar “bom dia”, Dandre Jermaine Grayson, no Rio Grande do Sul e os irmãos eram ensinados a mentir sobre os machucados decorrentes das agressões pelos pais. De acordo com a investigação, conduzida pela delegada Luana Medeiros, as cinco crianças, de idades entre 1 e 9 anos, precisavam dizer que tinham caído em alguma brincadeira quando eram levadas ao hospital.
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Uma perícia psíquica já foi marcada com um psicólogo para as crianças. A delegada ainda disse ao g1 que as crianças assistiam quando um dos irmãos apanhavam.
— Se elas fizessem alguma cara de tristeza, de discordância com aquilo que estava acontecendo, elas também apanhavam […] sempre foram ensinados a mentir, coagidos pelos pais a mentir, a não falar a verdade no hospital — disse.
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No dia em que o menino de três anos foi espancado pelo pai, o irmão mais velho assistiu à agressão. Conforme a delegada, as lesões corporais vinham acontecendo há pelo menos oito anos, enquanto o mais velho sofria com espancamentos desde que tinha pelo menos 1 ano.
A mãe, Mayanna Angelina Rodgers, não poderia ter se omitido diante das agressões, segundo a polícia, e, por isso, também é investigada. As quatro crianças foram encaminhadas para acolhimento institucional.
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Família tinha passado por acompanhamento em SC
A família, conforme a delegada, tem um grande histórico de violência, com registros em São Paulo e, também, em Santa Catarina. No estado catarinense, denúncias foram feitas em março de 2025, quando o Conselho Tutelar, acompanhado da Polícia Militar e da promotoria de Justiça de Palmitos, foi até a casa da família que, além do menino e do casal, era formada por outras quatro crianças de 1, 5, 7 e 9 anos de idade, na época.
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Apesar de não terem sido encontrados sinais de agressão, as crianças foram acolhidas institucionalmente à época como forma de prevenção. No abrigo, elas passaram três meses com acompanhamento psicológico e, ao final da avaliação, que também envolveu os pais, as crianças foram retornaram à família.
Segundo o MP, a família continuou sendo acompanhada pela rede de proteção, com um Plano de Acompanhamento Familiar elaborado pelo Centro de Referência Especializado em Assistência Social, sem que novas denúncias sobre maus-tratos fossem feitas.
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Em agosto do ano passado, o casal e a crianças, se mudaram para o Rio Grande do Sul. Com isso, o MP catarinense pediu a remessa do procedimento de proteção à Vara da Infância e da Juventude de Viamão, para que a família continuasse sendo acompanhada. Além disso, a intenção do MP era que as medidas protetivas continuassem sendo fiscalizadas.
O pedido foi deferido pela Justiça de Santa Catarina em setembro de 2025.
Polícia aponta “lesões gravíssimas” na criança
Conforme a delegada, a morte da criança foi confirmada na quarta-feira (8), depois de passar três dias internada em Porto Alegre. Dandre foi preso em flagrante ainda no Hospital de Viamão, e é investigado por homicídio duplamente qualificado, enquanto a mulher foi presa na última quinta-feira (9), suspeita de participar das agressões.
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— A forma como a família vivia foi determinante para a Delegada de Polícia entender que a mãe, na verdade, foi conivente com os atos de tortura e com o homicídio praticado contra o menino de 3 anos. O homicídio foi praticado com inúmeras e gravíssimas lesões, que chegaram a movimentar o coração do infante de lugar e achatar o crânio, não sendo crível que se pense que a mãe não conseguiu ouvir tudo – do quarto ao lado – e que sequer tivesse tentado conter o pai — disse a delegada Luana.




