nsc
dc

CORONAVAC

Ministério da Saúde nega acordo com Doria para compra de vacinas chinesas após pressão de Bolsonaro

Pazuello havia anunciado um protocolo de intenções para compra de 46 milhões de doses da Coronavac na terça-feira (20)

21/10/2020 - 13h06

Compartilhe

Folhapress
Por Folhapress
Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro
(Foto: )

Pressionado pelo presidente Jair Bolsonaro, o Ministério da Saúde informou nesta quarta-feira (21) que houve uma "interpretação equivocada" da fala do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, sobre a compra de 46 milhões de doses da vacina Coronavac.

> Ministério da Saúde fecha acordo para compra de 46 milhões de doses da Coronavac

Em nota, a pasta negou compromisso para compra de vacinas com o governo de São Paulo "ou seu governador" e disse não ter "intenção de compra de vacinas chinesas".

Em seguida, no entanto, reafirmou ter um protocolo de intenções para compra de uma possível "vacina brasileira" com o Instituto Butantan, que é vinculado ao governo paulista. A declaração ocorre um dia após Pazuello anunciar um protocolo de intenções para compra de 46 milhões de doses da vacina Coronavac, em desenvolvimento pela empresa chinesa Sinovac com o Butantan, e sua inclusão no Programa Nacional de Imunizações.

> "A vacina é que vai nos salvar, não é a ideologia, política ou processo eleitoral", diz Doria

Nesta quarta, porém, o presidente Jair Bolsonaro desautorizou o ministro, falou em "traição" e disse, em resposta a internautas, que "a vacina não será comprada".

A situação levou o ministério a amenizar o discurso do dia anterior. "Não houve qualquer compromisso com o governo do estado de São Paulo ou seu governador, no sentido de aquisição de vacinas contra Covid-19", informou a pasta nesta quarta.

"Tratou-se de um protocolo de intenção entre o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan, sem caráter vinculante, grande parceiro do Ministério da Saúde na produção de vacinas para o Programa Nacional de Imunizações."

> Brasil deve começar a produzir vacina russa contra a Covid-19 em dezembro

Em um exercício de retórica, a pasta passou então a afirmar que um eventual acordo com o instituto envolveria a compra de uma "vacina brasileira".

"Mais uma iniciativa de tentar proporcionar uma vacina segura e eficaz para nossa população, neste caso, com uma vacina brasileira, caso fique disponível antes das vacinas citadas. Não há intenção de compra de vacinas chinesas", disse.

> Opinião: Bolsonaro usa a vacina e a vida dos brasileiros para fazer política

A pasta disse ainda ter havido uma "interpretação equivocada" da fala do ministro e que a vacina, "em nenhum momento, foi aprovada pela pasta, pois qualquer vacina depende de análise técnica e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos e pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS".

O discurso vai ao encontro de declarações do presidente, que disse nesta quarta que "qualquer vacina, antes de ser disponibilizada à população, deverá ser comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela Anvisa" e que "o povo brasileiro não será cobaia de ninguém".

Em nota divulgada na terça, porém, a pasta confirmou ter assinado um protocolo de intenções "para adquirir 46 milhões de doses da Vacina Butantan - Sinovac/Covid-19, em desenvolvimento pelo Instituto Butantan".

> Painel do Coronavírus: saiba como foi o avanço da pandemia em SC

A pasta chegou a informar que, com a iniciativa, o país chegaria a ter 186 milhões de doses de vacinas a serem disponibilizadas ainda no primeiro semestre de 2021, já a partir de janeiro.

Colunistas