O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, desistiu da viagem aos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral da ONU e outros eventos no país, entre os dias 20 e 24 de setembro. O motivo alegado, segundo ele, foi a imposição de restrições pelo Governo Trump de circulação no país ao ministro. As informações são do g1, a partir de uma entrevista do ministro ao Estúdio i.
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Padilha definiu as restrições como “inaceitáveis”, e afirmou que elas não são contra ele como pessoa, mas sim “ao ministro da Saúde do Brasil”.
— […] Eu sou o ministro da Saúde do Brasil. Quando vou para um evento como esse, tenho que ter plena possibilidade de participar do conjunto das atividades das quais nós somos convidados — disse Padilha.
Com as restrições, Padilha poderia transitar em uma área equivalente a até cinco blocos de onde estiver hospedado. O principal impacto é no impedimento do ministro de viajar de Nova York para Washington para participar da Assembleia Geral da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
O ministro, a esposa e a filha dele, de 10 anos, tiveram os vistos de entrada nos EUA cancelados pelo governo Trump. Isso porque Padilha participou diretamente da implementação do programa Mais Médicos, em 2013, programa criticado pela Casa Branca, que alega que médicos cubanos que trabalhavam no Brasil pelo programa eram alvos de exploração de mão de obra escrava.
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Segundo Padilha, ele planejava anunciar no evento um reforço financeiro do Brasil a um fundo estratégico da organização para a compra de vacinas e medicamentos contra o câncer a preços mais baixos para todo o continente americano. O ministro afirmou, ainda, que a resposta do Brasil às restrições será atrair mais investimentos para a produção de vacinas e tecnologia no país.
— Nossa ação internacional vai continuar. Eles até podem impedir a presença do ministro, mas a ideia da defesa da ciência, da defesa da vacina […] esse presidente dos Estados Unidos não vai conseguir impedir — disse.
Visto recebido na terça-feira
O ministro havia recebido o visto dos Estados Unidos para realizar a viagem na terça-feira (16). Na ocasião, ele disse que isso era “obrigação de um país que tem um acordo sede com organismo internacional da ONU e da OPAS, que tem que garantir o acesso de uma autoridade convidada para esse evento”. O recebimento aconteceu após Padilha, que estava com o visto vencido, pedir a renovação do documento no dia 18 de agosto.
Ele teria sido um dos últimos da comitiva a receber o visto, de acordo com interlocutores do governo brasileiro. Também na terça-feira, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, recebeu a autorização. Seu ingresso nos EUA tinha sido suspenso havia algumas semanas pelo Departamento de Estado americano.
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