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Estiagem

Moradores buscam alternativas para contornar a falta de água na Grande Florianópolis

Em Palhoça, há filas para encher galões em bica no bairro São Sebastião. Casan pede economia

07/08/2019 - 16h30 - Atualizada em: 08/08/2019 - 11h27

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Caroline
Por Caroline Stinghen
José Goulart pega água na Bica em Palhoça
José Goulart pega água na Bica em Palhoça
(Foto: )

A falta de chuva em Santa Catarina tem causado transtornos para os moradores da Grande Florianópolis. Cidades como Palhoça, São José, Florianópolis, Biguaçu e Santo Amaro da Imperatriz registram falta de água por conta da estiagem. A Casan alerta os usuários a economizarem, mas será só com chuva que a situação deve começar a melhorar.

Um dos pontos mais preocupantes da região ocorre no bairro São Sebastião, em Palhoça. A dona de casa Márcia do Perpétuo Gomes da Silva, 46 anos, que mora há mais de duas décadas no local, está acumulando louça e roupa sujas porque há duas semanas a água não chega na comunidade, que fica num ponto mais alto do município, e está localizada na chamada "ponta de rede".

— A gente adora morar no bairro São Sebastião. É um lugar bom, tranquilo. Mas este problema da falta de água, que está sempre acontecendo, está deixando todo mundo chateado — lamenta a moradora.

A situação seria ainda pior se na Rua Graciosa, onde ela mora, não tivesse uma bica de água pública. Na manhã desta quarta-feira (7), havia fila no local com moradores segurando vários galões para encher de água.

— Há mais de duas semanas que estamos nesta situação. Estava vindo um pouco de água de manhã, mas não chega a encher a caixa. E agora não vem mais nada desde segunda. Não dá para limpar banheiro, tomar banho direito. Mas a conta de água continua vindo — reclama José Fabiano Santos, 40, que acrescenta:

— Isso sem contar que percebemos que os comércios começaram a aumentar o valor da água mineral essa semana. Antes o galão era R$ 5,50, agora está R$ 7,50.

Outro morador, o aposentado José Goulart, 64, enchia galões pela bica, mas até a água da nascente estava fraca.

O Samae, empresa de abastecimento de Palhoça, precisa comprar água da Casan para abastecer cerca de 80% da cidade. O prefeito Camilo Martins (PSD) afirma que a distribuição de água precisa ser igualitária entre as regiões. A Casan disse que a redução de pressão e vazão são proporcionais entre os municípios, não afetando apenas Palhoça.

Em São José, bairros como Colônia Santana, Areias, Barreiros e Loteamento Lisboa também registram o problema. No bairro Forquilhinhas, a água começou a faltar na terça-feira. Na Rua Valmir Gualberto de Oliveira, um ponto mais alto, moradores estão preocupados.

— Nos explicaram que a estiagem está causando esse problema de falta de água. Não tenho lavado calçada nos últimos dias, deixado a pia ficar cheia para lavar. A gente espera que melhore logo — comenta a pensionista Neide Santana, 65 anos.

Também há relatos de desabastecimento em bairros da Capital, como Saco Grande, Santa Mônica, Córrego Grande e Jardim Atlântico.

Segundo a Casan, no bairro Saco Grande, a falta registrada nesta quarta não está relacionada com a estiagem: houve um problema específico de uma tubulação que rompeu durante uma obra. O problema foi solucionado.

É preciso economizar

De acordo com a Casan, o prolongamento da estiagem — que baixou o volume dos rios em até 60% — na Grande Florianópolis está afetando o abastecimento em bairros localizados em regiões mais altas ou das chamadas pontas de rede. Equipes técnicas trabalham para minimizar os transtornos nestas áreas. A empresa informou ainda que 90% dos usuários ainda não foram afetados pela falta de água, mas que devem colaborar com a economia e prevenção.

Ainda na tarde desta quarta, a Casan alertou especificamente a população de Biguaçu, que está apresentando intermitência (interrupções no abastecimento) desde o último final de semana. "Isso ocorre em função da redução de vazão na captação de água do principal manancial que abastece a região, o Rio Vargem do Braço. Segundo o gerente da Agência da Casan em Biguaçu, Marcelo Osvaldo Nascimento, não há como precisar a normalização do abastecimento, haja vista que não existe previsão de chuvas intensas nos próximos dia", indicou a nota da empresa.

Previsão do tempo

Seguindo a tendência dos meses de junho e julho, a previsão para o mês de agosto é de chuva abaixo da média no Estado.

— Segundo a previsão climática, agosto deverá ficar abaixo da média e setembro deve ter chuva próximo à média histórica. Para os próximos 10 dias, a previsão é de somente 20 a 40 milímetros, segundo os meteorologistas — explica Guilherme Miranda, pesquisador de Hidrologia da Epagri/Ciram.

No mês de julho, todas as regiões do Estado registraram índices de chuva abaixo da média. Os municípios do Meio-Oeste foram os que mais sentiram com a estiagem. Na região, foram apenas 39,8 milímetros, dos 156,9 esperados.

Desde junho essa condição tem persistido no Estado, após o mês de maio ter sido bastante chuvoso, de acordo com o meteorologista Clovis Correa, da Epagri. O resultado é um tempo mais seco.

— As frentes frias não estão chegando em nossa região, elas estão se desviando principalmente do Uruguai para o oceano, perdendo força já no Rio Grande do Sul. Elas até estão passando [em SC], mas com fraca intensidade em relação à chuva — explica.

Apesar de ser comum a associação imediata da frente fria com a queda de temperatura, o volume de chuva é a principal caraterística dessa condição climática. O frio é apenas resultado da massa de ar que acompanha a frente fria, conforme explica o meteorologista.

— Mesmo com a previsão de passagem de uma frente fria entre os dias 10 e 12 de agosto, ela não será tão significativa — ressalta Correa.

Dicas para economizar água:

- Tome banhos breves;.

- Feche a torneira ao escovar os dentes e ao fazer a barba.

- Não lave a louça com água corrente: passe rapidamente água nas louças, ensaboe os pratos e utensílios. Abra a torneira apenas para enxaguar.

- Não lave roupa com água corrente.

- Só ligue a máquina de lavar louça ou a de lavar roupa com capacidade total: o consumo é igual se ela não estiver cheia.

- Não use água como vassoura. Em calçadas e áreas pavimentadas, primeiro varra a sujeira, depois lave com a utilização de um balde.

- Não use mangueira, mas balde e pano para lavar o carro. E em épocas de estiagem evite lavar seu automóvel.

- Reaproveite a água usada na lavação de roupas para outros fins, como lavar calçadas.

- Não jogue água nas ruas: água não é pavimentação.

- Regule a válvula de descarga: esse cuidado pode reduzir o consumo pela metade.

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