Às vésperas da chegada do verão, os moradores de Blumenau já enfrentam o drama da falta de água. As reclamações de torneiras secas se tornaram recorrentes nas últimas semanas e expõem a urgência de investimentos para aumentar a produção na cidade. O Samae tem consciência do problema e elenca projetos para resolver a questão. Entretanto, a solução não será a curto prazo.

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Enquanto a água não vem, as famílias tentam se organizar para sofrer menos com a situação. Lucinara Cordoni mora no Salto do Norte e tem caixa d’água. Ainda assim, conta enfrentar o desabastecimento desde as últimas enchentes, em novembro deste ano. Na segunda-feira (18) à tarde, por exemplo, ela afirma que nenhuma gota chegava ao fim da Rua Jacarepaguá.

O mesmo problema tinha ocorrido no sábado (16). Cabeleireira em contraturno, ela relata ter chegado ao ponto de ficar sem água para lavar o cabelo da cliente. A situação, porém, não é uma exclusividade da comunidade onde mora. Lucinara relembra ter ido atender uma pessoa na região da Via Moinho e se deparou com as torneiras secas na hora de finalizar o serviço.

O Samae recebeu, de novembro para cá, 2 mil reclamações de falta de água. A autarquia diz não ser possível comparar com os números de 2022 por causa das cheias deste ano. Somente em dezembro, a autarquia emitiu nove comunicados sobre rompimentos de redes, problemas em reservatórios e necessidade de paradas de ETA para limpeza de filtros. Tudo compromete o abastecimento.

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O calcanhar de Aquiles é a região abastecida pela ETA 2, responsável pelo fornecimento de água em 77% da cidade, afirma o presidente interino do Samae, Henrique Carlini.

Para ter uma ideia da importância dessa estação, a água produzida nela atende os bairros Água Verde, Do Salto, Escola Agrícola, Salto Weissbach, Passo Manso, Velha, Velha Pequena, Velha Grande, Velha Central, Vila Nova, Fidélis, Fortaleza, Fortaleza Alta, Itoupava Norte, Tribess, Nova Esperança, Badenfurt, Itoupava Central, Itoupava Seca, Itoupavazinha, Salto do Norte, Testo Salto.

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Adair Florencio, morador da Itoupava Norte, mostra em vídeo o cenário encontrado no início dessa semana ao chegar do trabalho, pouco antes da meia-noite: a água começava a entrar na rede. Segundo ele, recentemente a Rua Professor Fernando Ostermann passou quase dois dias sem abastecimento. Na visão dele, falta investimento e comunicação, já que a comunidade é sempre pega de surpresa.

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Há cinco quilômetros da casa dele, no Terminal Aterro, os passageiros que tentaram tomar água nos bebedouros, usar os banheiros ou até mesmo lavar as mãos, não conseguiram na segunda-feira (18) pela manhã. Sem água chegando na rede, tudo o que tinha nas duas caixas d’água instaladas no local foi consumido rapidamente em virtude do calor escaldante.

O presidente do Samae diz que o desabastecimento sentido pelos moradores é resultado de uma série de fatores. O primeiro deles é que as estruturas estão ultrapassadas, a ETA 2 opera no limite e qualquer intervenção nela acaba impactando no consumidor. Além disso, as redes existentes não foram dimensionadas para a população atual — de 363 mil habitantes.

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Qual a solução para o problema?

Resolver a questão da falta de água passa principalmente por ampliar a capacidade de produção. Isso, porém, depende de uma série de investimentos, sobretudo dois grandes projetos do Samae.

O primeiro é mudar o ponto de captação no rio, para conseguir fazer esse trabalho mais ao fundo do Itajaí-Açu e, assim, pegar água menos suja. A medida vai permitir que o tratamento seja mais rápido, ou seja, produzindo mais. A obra estimada em R$ 47 milhões deve ser custeada pelo Fundo do Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata).

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O contrato foi assinado há mais de um ano, mas o projeto precisou de ajustes e a expectativa é licitar no primeiro semestre de 2024. Em um cenário sem turbulências, a obra ficaria pronta em 2026.

A segunda meta é reformar a ETA 2 e dobrar a capacidade produção, passando dos atuais 800 litros por segundo para 1,6 mil litros por segundo. De acordo com o presidente interino do Samae, Henrique Carlini, o projeto executivo está pronto e cadastrado no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, para conseguir recursos e tirar a obra do papel.

Vencida a questão orçamentária, a obra deve impor outro desafio: precisará ser feita com a estação em atividade. Essa ação não tem nem previsão de quando será concretizada.

A opção mais rápida é a troca de membranas dos decantadores. A primeira deve ser feita em fevereiro de 2024, ao custo de R$ 1 milhão, e deve aumentar em 100 litros por segundo a produção do Samae.

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Além disso, a autarquia planeja a compra ou aluguel de duas estações compactas. Cada uma teria condições de produzir 100 litros por segundo e dariam fôlego enquanto os projetos mais complexos não evoluem. Cada uma custa, no mínimo, R$ 9 milhões e levaria pelo menos seis meses para ser entregue após assinado o contrato. Logo, devem ser realidade no segundo semestre de 2024.

Somada a troca de membranas dos decantadores com as ETAs compactas, o incremento de produção deve ser de 400 litros por segundo.

O presidente reconhece que essas questões precisavam estar mais avançadas, mas ressalta que a autarquia não tem medido esforços quanto ao tema. Carlini cita o uso de bombas nas estações da região Sul para conseguir manobrar a água produzida nelas e levar para pontos mais distantes, como Rua Bahia e até o começo da Fortaleza. Isso desafoga a ETA 2, para que consiga abastecer mais a região Norte, onde a água das ETAs 1 e 2 não são capazes de chegar.

— A próxima temporada de verão tem que ser melhor. A gente não consegue dormir sabendo que tem falta de água em determinados momentos — desabafa.

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