O prefeito de Indaial, Silvio César da Silva (PL), divulgou um vídeo nas redes sociais para dizer que acompanha o caso jovem Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, “com atenção, preocupação e tristeza”. A jovem grávida morreu após buscar atendimento médico quatro vezes no Hospital Beatriz Ramos e ser mandada de volta para casa.

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A Polícia Civil já pediu os prontuários médicos e uma investigação está em andamento.

— Embora o Hospital Beatriz Ramos possua gestão técnica própria, a prefeitura está cobrando da direção uma apuração rigorosa e completa dos fatos. É fundamental esclarecer o que aconteceu e identificar eventual falha e, se confirmada qualquer irregularidade, que os envolvidos sejam rigorosamente responsabilizados — declarou o prefeito nas redes sociais.

Silvio César também destacou como “situações como essa não podem acontecer e não serão tratadas com indiferença” e cobrou punição com o máximo rigor se a investigação técnica comprovar qualquer tipo de negligência.

Em entrevista ao NSC Total, o delegado Ícaro Malveira afirmou que os documentos médicos foram solicitados aos dois hospitais ainda na terça-feira (7), quando a família da jovem de 18 anos registrou um boletim de ocorrência por negligência contra o Beatriz Ramos.

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A expectativa é de que os prontuários sejam encaminhados à delegacia ainda nesta semana. Com isso, serão imediatamente enviados à Polícia Científica para analisar se houve imprudência, negligência ou imperícia por parte dos profissionais de saúde que atenderam a gestante.

Relembre o caso

Maria Luiza estava entrando no sétimo mês de gestação quando começou a passar mal e procurou ajuda. Foi ao hospital repetidas vezes e, apesar de receber medicação e soro a cada nova passagem pelo pronto-socorro, era sempre liberada. Até que o quadro piorou ao ponto de mãe e filha perderam a vida em uma cesariana de emergência.

Os relatos foram compartilhados pela família enlutada nas redes sociais e causaram revolta. Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, estava na primeira gravidez. Cerca de duas semanas antes de começar a sentir dores pelo corpo, recebeu o diagnóstico de diabetes gestacional. Acompanhada pela unidade de saúde do bairro Tapajós, onde fazia o pré-natal, ela recebeu encaminhamento à nutricionista.

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No dia da consulta, porém, não conseguiu ir por causa do mal-estar. Na segunda-feira, dia 30 de março, foi sozinha ao hospital em Indaial. A mãe da jovem, Luana, contou em entrevista à repórter Talita Catie do NSC Total que a filha fez exames de sangue e urina e os resultados estavam normais e podia voltar para casa. Mas, no dia seguinte, as dores persistiam e ela retornou ao Beatriz Ramos.

— Neste dia, os exames já vieram alterados, plaquetas baixando e urina mais “suja”. Mas optaram por não interná-la para descobrir o que estava acontecendo. Neste dia, a médica de plantão disse que suspeitava de dengue. Mesmo assim, nos mandou para casa — lembra Luana.

Na quarta-feira (1º), a dor no corpo e a febre ainda estavam presentes e a gestante voltou para o hospital. Segundo a mãe, ela foi medicada, mas não fizeram exames e nem mesmo hidratação. Após algumas horas em observação, a paciente ouvia que poderia retornar ao lar.

Horas depois, Maria não suportava mais o mal-estar e voltou ao hospital. O atestado médico mostra que foi liberada às 4h30min do dia 2. Na manhã seguinte, a situação persistia e a família decidiu levar a jovem ao posto de saúde onde ela fazia o pré-natal.

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— Ela foi avaliada pela equipe ali e todos se assustaram com o estado em que ela chegou: apática, cansada, cheia de manchas roxas pelo corpo, com sinal de desidratação severa. Foi encaminhada, então, para o Beatriz Ramos com urgência por um carro da prefeitura com o acompanhamento de uma enfermeira — conta a mãe da vítima.

Ela precisou ser intubada e foi transferida às pressas para o Hospital Santo Antônio, em que passou por uma cesariana de emergência. A neta tão esperada pela família não sobreviveu ao parto e os médicos lutarem pela vida de Maria Luiza, que também não resistiu. Mãe e filha foram sepultadas juntas na Sexta-Feira Santa (3), em Indaial.

— Minha filha ficou viva mais uma hora e meia e não resistiu. Agora eu me pergunto: o que matou minha filha tão jovem, tão cheia de saúde, tão linda? Meu Deus, como isso foi acontecer? — se questiona Luana.

Hospital diz que está apurando o caso

O hospital preferiu se manifestar através de nota (leia na íntegra abaixo). No documento, afirmam: “Desde a ocorrência envolvendo a paciente Maria Luiza Bogo Lopes, iniciou-se imediatamente a adoção de todas as medidas cabíveis para o esclarecimento completo dos fatos”.

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A Associação Beneficente Hospital Beatriz Ramos informa que, desde a ocorrência envolvendo a paciente Maria Luiza Bogo Lopes, iniciou imediatamente a adoção de todas as medidas cabíveis para o esclarecimento completo dos fatos.

O caso está sendo submetido a investigação técnica rigorosa, conduzida em conformidade com os protocolos do Conselho Federal de Medicina e do Ministério da Saúde, respeitando todos os fluxos institucionais aplicáveis.

A apuração ocorre no âmbito da Comissão Técnica Hospitalar, com análise criteriosa e detalhada, incluindo a revisão minuciosa de todo o processo assistencial desde o primeiro atendimento prestado à paciente.

O Hospital Beatriz Ramos lamenta profundamente o ocorrido e expressa sua solidariedade à família neste momento de dor. A instituição reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a responsabilidade, assegurando que a apuração será conduzida com a máxima seriedade.

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*Sob supervisão de Augusto Ittner