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Polícia

Mortes na trilha da Cachoeira do Poção alertam entidades sobre facções em Florianópolis

Polícia apreendeu adolescente suspeito de dois dos três homicídios no local

05/11/2019 - 08h09

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Clarissa
Por Clarissa Battistella
trilha da Cachoeira do Poção, no bairro Córrego Grande, em Florianópolis,
Trilha da Cachoeira do Poção, no bairro Córrego Grande, em Florianópolis
(Foto: )

Uma série de execuções que ocorreu na trilha da Cachoeira do Poção, no bairro Córrego Grande, em Florianópolis, reacendeu uma preocupação entre as entidades de segurança da Capital catarinense: facções, anteriormente controladas pela ação da polícia, voltaram a atuar e com violência.

Em três semanas, dois homens e uma mulher foram encontrados mortos no local. O último caso aconteceu na madrugada deste sábado (2), quando uma mulher, ainda não identificada, foi executada a tiros na trilha. Os outros dois casos ocorreram nos dias 9 e 18 de outubro.

O titular da Delegacia de Homicídios da Capital, Ênio Matos, atribuiu a responsabilidade dos três assassinatos a um grupo criminoso que atua no Morro do 25, comunidade localizada na região central de Florianópolis. O delegado, entretanto, não deu mais detalhes sobre a investigação.

No Comando do 4º Batalhão de Polícia Militar - que abrange o Centro, o Leste e o Sul da Ilha de SC -, o major André Serafim afirmou que a suspeita sobre a relação de criminosos da 25 com os três casos, se deu pela autoria dos dois primeiros homicídios, já que o principal suspeito mora na região:

— Um menor foi apreendido preventivamente como suspeito dos dois primeiros assassinatos. Ele é, supostamente, do Morro do 25. Em relação a mulher, se acredita que tenha ligação com os fatos anteriores pela semelhança como ocorreu, mas só com o resultado do IGP para confirmarmos.

Questionado sobre a possível soltura de um líder de facção ou se um novo chefe pode ter surgido para comandar a criminalidade na região central, o major afirmou que grupos criminosos nunca deixaram de agir, embora com menos frequência:

— Há dois anos tínhamos muitos confrontos e muitas mortes. Controlamos bem no ano passado e este ano. Mesmo assim, tivemos um caso no Sul da Ilha bastante parecido. E outros casos no Norte. O que percebemos é uma migração de área — explica.

De acordo com o major, há algum tempo era comum os corpos serem encontrados na trilha do Moçambique, na região Norte da Ilha. Com a mobilização de autoridades, a área foi iluminada e cercada, o que impôs algumas dificuldades para a concretização de delitos naquela região:

— Já estamos em contato com os responsáveis pela estruturação da área para dificultar a ação de facções também no Córrego Grande, com uma iluminação adequada, cercamento e câmera no início do trajeto, de modo que, se acontecer algo, logo consigamos identificar — afirmou.

Policiamento preventivo

Ao menos dois dos três assassinatos, ocorreram no local segundo o major André Serafim. Isso porque moradores das imediações relataram ter ouvido disparos de arma de fogo em duas ocasiões. Para conter a atuação criminosa na região, a Polícia Militar montou uma estratégia de policiamento ostensivo nas imediações, onde trabalha com equipes do BOPE e do Choque.

— Todas as pessoas executadas são vidas que foram tiradas, nos preocupam, e nossa intenção é reduzir os homicídios em 40% este ano, em relação ao ano anterior. Já baixamos os índices em 33% — disse.

Sobre a preocupação da comunidade, em relação às mortes, o major frisa que os homicídios registrados em 2019 tiveram a contribuição, de alguma forma, da vítima:

— Ou tinham alguma ligação com crimes, antecedentes policiais. Para o trabalhador não há com que se preocupar — concluiu.

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