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Polêmica

Mulher acusa enfermeira de SC de mandar "dar descarga" em feto; hospital rebate

Moradora de Bombinhas afirma ter sido vítima de descaso durante atendimento na unidade

09/09/2021 - 15h10

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Por João Victor Góes
Hospital Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú
Hospital Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú
(Foto: )

Uma jovem de 23 anos, moradora de Bombinhas, afirma ter sido alvo de descaso durante atendimento no Hospital e Maternidade Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú. Fernanda Adamek estava grávida e foi levada à unidade após perder o bebê, para fazer a retirada do feto.

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De acordo com Fernanda, eles estavam em casa quando suspeitaram que o filho, de 23 semanas, estivesse morto. O feto não estava se mexendo e não havia sinais de batimentos cardíacos.

Ela então foi levada ao Hospital Ruth Cardoso onde, segundo ela, precisou esperar cerca de uma hora para ser atendida e outras duas até fazer o exame de ultrassom que confirmou a morte fetal do filho.

Na sequêcia, Fernanda foi internada para que pudesse fazer a retirada do feto. Ela teria sido informada de que não poderia fazer cesária pois havia o risco de não poder ter engravidar novamente.

"Dá descarga pai, dá descarga"

No outro dia, Fernanda conta que sentiu uma dor muito forte. Nas palavras dela "fora do normal". Uma das enfermeiras teria ido até o quarto onde ela estava e fez exame de toque, mas garantiu que não seria o bebê saindo.

A enfermeira então teria saído do quarto e a mãe conta que foi ao banheiro. Nesse meio tempo o feto teria saído e caído no vaso sanitário.

“Entrei em desespero, meu marido também, não sabíamos o que fazer ele começou a gritar e chamar alguém. Ela [enfermeira] voltou, me levantou e disse nas exatas palavras ‘dá descarga pai, dá descarga’. Meu marido sem entender e em choque com tudo, fez o que ela mandou. Depois ela saiu à procura do médico e eu ouvi ela falando ‘o pai deu descarga’. O médico entrou no quarto, não me olhou, apenas foi até o banheiro e gritou ‘tratem de achar essa criança, pois isso é ocultação de cadáver’. Ela [enfermeira] saiu falando que meu marido tinha dado descarga, depois começou a discussão pois ele contou que foi ela que mandou.”, relatou em postagem nas redes sociais.

Ainda segundo relato da mãe, o feto ficou preso no vaso sanitário. Para retirá-lo a equipe do hospital precisou quebrar o vaso. Fernanda questiona o procedimento adotado pelo hospital. Ela diz que não teria recebido qualquer informação quanto às medidas do filho. Segundo ela, a vontade da família era enterrá-lo.

“Perguntei pra onde ia, mas não falaram. Ele era grande, lindo, todo perfeito. Com toda certeza eu poderia trazer e enterrar meu filho, mas não. [...] E outra, nunca veio um médico falar o que iria acontecer. Eu vi um médico só na hora que dei entrada e na hora que meu filho estava dentro do vaso sanitário, ainda veio só pra gritar que todos iriam para a cadeia.”, escreveu.

À reportagem do Santa, Fernanda informou que não recebeu atestado de óbito do filho. “É uma dor inexplicável, além de ter meu filho morto, tive que passar por tudo isso". Ainda segundo ela, um advogado foi contratado para que ela possa buscar os procedimentos cabíveis.

Hospital contradiz versão

Por meio de nota, o Hospital Ruth Cardoso apresentou outra versão do caso. Segundo a unidade, a enfermeira, dentro dos procedimentos normais, orientou a paciente e prestou os cuidados médicos necessários.

O hospital diz que a paciente contrariou recomendações para ficar em repouso e foi até o banheiro sem o acompanhamento da enfermeira. Ainda segundo a unidade, ao chegar no local a profisisonal teria dito para não dar descarga.

"Ao ser chamada, a enfermeira constatou que o vaso sanitário estava cheio de água e orientou para não darem descarga, e chamou o médico e a equipe responsável para retirada do feto do local, pois a placenta obrigatoriamente tem que ser encaminhada para exame patológico.", diz um trecho da nota.

A nota é finalizada iinformando que não houve manifestação dos familiares dentro das 24 horas no desejo de retirada do feto e reiterou que prestou todo suporte ao casal.

Confira a nota na íntegra

"Sobre o caso de aborto ocorrido no Hospital Ruth Cardoso no último dia 02 de setembro, esclarecemos que a paciente deu entrada no Hospital neste mesmo dia, às 18:00h, proveniente de uma Unidade de Pronto Atendimento do Município de Bombinhas, já com feto em óbito, conforme encaminhamento médico.

Em ato contínuo, no Centro Obstétrico do Hospital Ruth Cardoso, a paciente foi submetida a exames, inclusive por imagem, confirmando o óbito do feto.

A enfermeira, dentro dos procedimentos normais, orientou a paciente e prestou os cuidados médicos necessários ao caso.

Na questão da descarga, A PACIENTE FOI ORIENTADA A FICAR EM REPOUSO, mas levantou sem chamar a enfermeira para ir ao banheiro, local onde ocorreu o aborto. Ao ser chamada, a enfermeira constatou que o vaso sanitário estava cheio de água e orientou para NÃO DAREM DESCARGA, e chamou o médico e a equipe responsável para retirada do feto do local, pois a placenta obrigatoriamente tem que ser encaminhada para exame patológico.

Tanto médico como enfermeira e equipe, dentro das suas atribuições agiram com zelo e dedicação.

O Hospital Ruth Cardoso esclarece também que devido à vedação legal, não podem ser divulgados dados do prontuário médico para terceiros, a não ser para o próprio paciente. Mas afirma que a paciente recebeu todo o suporte da equipe multidisciplinar, além da enfermagem, psicologia e serviço social, bem como orientação dos procedimentos a serem adotados com relação ao feto e legislação em vigor.

Segundo a legislação brasileira, é considerado aborto a expulsão ou extração de um embrião ou feto com peso inferior a 500 g ou estatura menor que 25 cm ou idade da gestão inferior a 20 semanas.

Como não houve manifestação dos familiares dentro das 24 horas no desejo de retirada do concepto, devidamente informados, foi dada a destinação conforme normas do Ministério da Saúde e Anvisa para esses casos especificamente.

Finalizando, reiteramos que todos os procedimentos da equipe multidisciplinar, acompanhamento e suporte ao casal foram realizados."

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