Após o caso da mulher de 38 anos, que fingiu ter 12, vir à tona em Santa Catarina, a Polícia Civil do Paraná finalizou uma investigação que foi aberta em 2022. Amanda Maria Souza de Oliveira foi indiciada pelo crime de estelionato. Segundo o órgão paranaense, ela teria feito ao menos 12 vítimas, todas integrantes de um grupo religioso.
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De acordo com a PCPR, durante a investigação, foram identificadas 12 vítimas no município de Colombo. As vítimas faziam parte um grupo religioso de orações virtuais, local em que a investigada se infiltrou e simulava a rotina de uma adolescente de 13 anos em estágio terminal de leucemia.
Inclusive, uma das vítimas chegou a ser entrevistada pelo g1. Ela informou que após criar um vínculo afetivo com a acusada, ela tatuou o nome “Emily” no pulso, que era como a falsa adolescente se identificava. Depois de descobrir a farsa de Amanda, ela conseguiu remover a marca.
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O caso da falsa adolescente só foi descoberto quando Amanda passou a pedir dinheiro para as vítimas. Neste momento, as pessoas passaram a investigar com os hospitais citados pela acusada, mas nenhum registro foi encontrado.
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Ainda conforme o g1, as vítimas registraram um boletim de ocorrência em 2022 sobre o caso e a Polícia Civil iniciou uma investigação, entretanto, na época, não havia sido possível chegar até a autora do crime.
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Com o indiciamento, Amanda foi ouvida na última semana pela polícia paranaense. Ela negou as acusações ligadas ao município de Colombo. Ainda assim, diante de outros materiais e provas, o inquérito com o indiciamento dela por estelionato foi encaminhado à Justiça.
A PCPR informou que o caso pode ter desfecho no Paraná após as vítimas terem reconhecido as características físicas da investigada por meio da repercussão midiática de sua prisão em Joinville, cidade na qual atuava em idêntico modus operandi, passando-se por menor de 12 anos e inserindo-se em ambiente familiar.
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A defesa da acusada, representada pelos advogados Sarita Henrique de Paiva e Lucio Sousa, informou que tomou conhecimento das alegações de suposta prática do crime de estelionato no Estado do Paraná, “envolvendo alegada fraude relacionada ao estado de saúde da cliente (leucemia/câncer terminal), por meio dos próprios veículos de comunicação. Cumpre destacar que os elementos informativos reunidos até o presente momento são extremamente rasos e frágeis. De todo modo, esta defesa acompanhará de perto todas as diligências investigativas para assegurar que a cliente tenha a garantia plena aos preceitos constitucionais do contraditório e da ampla defesa”, cita por meio de nota.
Além disso, também relatou que o processo em Joinville está suspenso, aguardando a devida instrução do incidente de insanidade mental. “A cliente já foi submetida à perícia oficial realizada pelo Estado. Contudo, visando à busca da verdade real, a defesa requereu a realização de uma nova perícia médica particular por assistente técnico, com o intuito de confrontar tecnicamente o laudo estatal recente com o extenso histórico clínico e psiquiátrico de Amanda, estando esta nova avaliação pericial já devidamente agendada. Por se tratar de procedimento que tramita sob estrito segredo de justiça, esta defesa está legalmente impedida de fornecer detalhes específicos constantes nos autos”, informa.
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Como o caso foi descoberto em Joinville
A suspeita vivia com a família há cerca de 14 meses. A investigação apurou que a “menina” encontrou a família por meio de uma igreja do distrito de Pirabeiraba. No local pediu ajuda e contou que fugiu de casa porque era obrigada a se prostituir e tomar hormônios — o que, segundo ela, daria um visual maduro à sua aparência.
O delegado responsável pela investigação, Rodrigo Bueno Gusso, detalhou que, ao longo do período em que “Gabriele”, nome falso usado pela falsa adolescente, esteve na casa da família, ela negava ser adotada oficialmente e, para ocultar o real motivo, dizia que não queria que o “pai biológico” tomasse conhecimento da situação.
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Do mesmo modo, a investigação apontou que ela entrava em “pânico” quando os pais adotivos falavam em matriculá-la em uma escola da região, para que a “menina” pudesse estudar regularmente. Em todas as tentativas, ela negou a oferta.
Segundo ele, a família foi enganada desde o início e se envolveu emocionalmente com a suspeita, sem desconfiar da farsa. Com idade entre 40 e 50 anos, os “pais” ficaram comovidos com a triste história e a abrigaram.
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Durante o período, a falsa adolescente chegou a ganhar uma festa de aniversário ao “completar” 12 anos. Ainda, o delegado reforçou ao NSC Total que a família foi vítima desde o início.
— São vítimas, agiram de boa fé desde o início. Não dá para culpabilizar as vítimas nesse caso, a responsabilidade única é a da suspeita — afirmou o delegado.
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Além do abrigo na casa em Pirabeiraba, a família arcou com um tratamento para obesidade para a “menina”, com o medicamento injetável tirzepatida, conhecido popularmente como Mounjaro.
Apesar da ausência de desconfiança dos “pais”, um parente da família desconfiou da situação, chegou a alertar a família e acionou a polícia. Ao chegar no endereço, parte dos familiares resistiram e não acreditaram na verdadeira versão do caso.
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— No momento da prisão, quando nós nos encontramos com outros familiares, houve uma certa resistência por parte da família, não por todos, de que haveria um mal-entendido, né, uma interpretação errada da polícia, de que aquela pessoa realmente seria uma adolescente — conta o delegado.
Contudo, os agentes apresentaram os materiais da investigação que comprovaram o golpe. Durante o interrogatório, a falsa adolescente, de 37 anos, confessou integralmente o crime.
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Após a realização dos procedimentos de praxe, a suspeita foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville. Agora, ela é ré em um processo pelos crimes de estelionato e falsa identidade. A mulher ainda passou por exame psiquiátrico, mas o resultado ainda não foi divulgado. O processo tramita em segredo de Justiça.








