A mulher que levou um tapa durante uma abordagem da Polícia Militar no bairro Monte Cristo, em Florianópolis, no último sábado (7), relatou à NSC como a ação ocorreu. Ela alega que os policiais usaram spray de pimenta no espaço que tinha mulheres e crianças, e que o marido tentou defendê-la na ação.
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De acordo com o relato, a mesma viatura já tinha passado no local mais cedo observando a confraternização na barbearia. Mais tarde, eles retornaram ao local, e chegaram já pedindo que todos levantassem a camiseta.
— Quando eles chegaram, eles já chegaram daquele jeito ali, mandaram todo mundo levantar camiseta, sem querer entender nada que tava acontecendo. E eu tentando explicar o motivo por que a gente estava ali, sendo que meu marido já tinha abaixado o som — relembra.
A mulher diz que tentou explicar para os policiais que se tratava da comemoração de um ano da barbearia do marido. Um dos clientes que estava no local, que estaria alterado, segundo ela, disse que não tinha motivo para levantar a camiseta, já que ele era trabalhador. Nesse momento, a mulher disse para ele sair do local e deixar que ela resolvesse a situação.
— Alguém puxou ele pra dentro e quando eu fui virar de volta a polícia já tinha jogado spray de pimenta em direção à barbearia, sendo que dentro da barbearia tinha mulheres, tinha crianças, e os meninos estavam no lado de fora — conta.
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Veja imagens do caso
Ela alega que a abordagem ocorreu por julgamento dos policiais com o estereótipo das pessoas que estavam no local. Ainda, assume que se alterou no momento, e nisso jogou um copo de plástico com bebida em direção aos agentes.
— Eu joguei porque eles tinham jogado spray de pimenta, sendo que tinha criança bem ali perto da porta, criança que saiu chorando. Aí foi onde eu joguei o copo de bebida. E eu filmei, quando eu comecei a filmar a reação deles, ele chegou e falou, “ah, pega aquela ali que vai presa” — relatou a mulher.
Daí em diante inicia o momento que foi registrado na filmagem, em que a polícia aborda o marido dela, e um copo de vidro que estaria na mão dele cai no chão. A ação violenta, em que a mulher levou um tapa de um dos policiais, foi filmada.
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— Meu marido, no caso, estava tentando me defender e aconteceu aquilo tudo, aquela brutalidade ali deles — pontua.
Veja vídeo
O que aconteceu
Durante uma ação da Polícia Militar (PM) no bairro Monte Cristo, em Florianópolis, no último sábado (7), uma mulher e o marido dela foram alvo de uma ação violenta de policiais. Eles ficaram com diversos hematomas após a abordagem. As imagens mostram a mulher já rendida no chão quando um dos policiais desfere o golpe.
A ação ocorreu durante uma confraternização em uma barbearia do bairro. A PM foi acionada para uma ocorrência de perturbação de sossego, por causa do som alto. A corporação afirma que os policiais foram hostilizados e atacados com copos de vidro e que, por isso, “foi necessário o uso progressivo da força”.
O Ministério Público informou que vai instaurar procedimento de ofício e encaminhar o caso a uma das promotorias militares para apurar a possível ocorrência de crime militar. A 40ª Promotoria de Justiça também requisitou a abertura de procedimento pela Corregedoria-Geral da Polícia Militar.
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Marido contesta versão da PM
Em áudios enviados à NSC TV, o marido da mulher agredida, dono da barbearia onde ocorria a confraternização, contesta a versão da Polícia Militar de que policiais teriam sido atacados com copos de vidro durante a abordagem.
Segundo ele, cerca de 20 pessoas comemoravam o primeiro ano de funcionamento do estabelecimento quando as viaturas da PM chegaram ao local, por volta das 16h30min de sábado. Ele diz que reduziu completamente o volume do som assim que percebeu a aproximação dos policiais.
— Quando eu vi que a polícia chegou, daí eu cheguei e baixei o volume, baixei o som todo — disse.
Ainda de acordo com o relato, os policiais pediram para que as pessoas que estavam em frente ao estabelecimento levantassem a camiseta durante a abordagem. Um dos clientes estaria alterado e foi chamado para dentro do salão.
— Eles chegaram e todo mundo levantou a camisa. Daí, teve só um que tava alterado, nosso cliente, nós chamamos ele pra dentro — afirmou.
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Na sequência, segundo o comerciante, os policiais usaram spray de pimenta, o que deu início à confusão registrada em vídeo. Ele afirma, no entanto, que ninguém estava armado.
Copo de plástico
O comerciante também nega que copos de vidro tenham sido arremessados contra os policiais, como afirma a PM. Segundo ele, o objeto lançado pela mulher era de plástico.
— Minha mulher ficou indignada e jogou o copo de bebida na direção deles. Era copo de plástico. Tem vídeo mostrando isso. No início eles falam que era copo de vidro, mas nem era. Ninguém jogou nada de vidro na direção deles — disse.
Ele afirmou, ainda, que o único copo de vidro no local era o que ele segurava e que o objeto caiu da própria mão durante a confusão.
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— O único copo de vidro era meu. Eu tava tentando falar que não precisava de tudo isso, e aí o copo caiu da minha mão e quebrou quando fui ajudar minha mulher — relatou.
Segundo o comerciante, após a confusão, o copo quebrado teria sido atribuído à companheira dele.
— Eles estão sempre certos. Nós estamos sempre errados, não adianta — lamentou.
O que diz a PM
Em nota, a PM afirma foi acionada para uma ocorrência de perturbação de sossego, por causa do som alto. Em uma das ligações, segundo a corporação, foi mencionada a possibilidade de presença de pessoas armadas.
A nota diz ainda que “na tentativa de orientar os presentes e realizar a averiguação preventiva, a guarnição passou a ser hostilizada, havendo resistência às ordens policiais, xingamentos e aproximações intimidatórias”. A PM afirma ainda que copos de vidro foram arremessados contra os policiais.
“Diante da injusta agressão e da reação ativa de alguns indivíduos, foi necessário o uso progressivo da força, com emprego de munição não letal e espargidor de pimenta, a fim de conter a situação e restabelecer a ordem. Como resultado da ocorrência, duas pessoas foram presas, o equipamento de som foi apreendido e os envolvidos conduzidos à Central de Polícia para os procedimentos legais cabíveis”, afirma a PM.
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No entanto, a corporação afirma que a situação será investigada. “Conforme os protocolos institucionais, as circunstâncias relacionadas ao uso da força serão devidamente apuradas pela Corregedoria da Polícia Militar”, finaliza o texto.
Veja a nota da PM na íntegra
“A Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), por meio do 22º Batalhão de Polícia Militar (BPM), informa sobre uma ocorrência registrada na tarde deste sábado, 07 de fevereiro, no bairro Monte Cristo, área continental de Florianópolis.
- A guarnição do Tático foi acionada para atender uma ocorrência de perturbação do trabalho e do sossego alheios, motivada por som excessivamente alto em um estabelecimento localizado no bairro. O Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) registrou, ao longo da tarde, diversas ligações da comunidade relatando o barulho excessivo, sendo que em uma das solicitações foi mencionada a possibilidade da presença de pessoas armadas no local.
- No local, foi constatado som em volume elevado e a presença de aproximadamente 20 pessoas. Durante a tentativa de orientar os presentes e realizar a averiguação preventiva, a guarnição passou a ser hostilizada, havendo resistência às ordens policiais, xingamentos e aproximações intimidatórias. Em determinado momento, copos de vidro foram arremessados contra os policiais, colocando em risco a integridade física da guarnição.
- Diante da injusta agressão e da reação ativa de alguns indivíduos, foi necessário o uso progressivo da força, com emprego de munição não letal e espargidor de pimenta, a fim de conter a situação e restabelecer a ordem. Como resultado da ocorrência, duas pessoas foram presas, o equipamento de som foi apreendido e os envolvidos conduzidos à Central de Polícia para os procedimentos legais cabíveis.
A Polícia Militar ressalta que todas as ações adotadas tiveram como objetivo a preservação da segurança da guarnição, dos frequentadores do local e da comunidade, diante de um cenário de risco elevado. Informa ainda que, conforme os protocolos institucionais, as circunstâncias relacionadas ao uso da força serão devidamente apuradas pela Corregedoria da Polícia Militar.
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A PMSC reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a manutenção da ordem pública, atuando sempre dentro dos princípios técnicos e legais que regem a atividade policial.“






