nsc
dc

Triplo homicídio

Mulher que teve familiares assassinados em Alfredo Wagner revela sonhos e áudio do irmão 

Após perder a família, Ana Paula se mudou para o sítio. Ela contou ao Diário Catarinense sobre o sonho que antecedeu a morte dos pais e irmão  

26/08/2019 - 18h38 - Atualizada em: 27/02/2020 - 21h15

Compartilhe

Clarissa
Por Clarissa Battistella
Mateo tranquilizou a irmã horas antes de ser morto
Mateo tranquilizou a irmã horas antes de ser morto
(Foto: )

Uma conversa desencontrada. Um áudio que serviu para acalmar o coração angustiado da irmã por algumas horas e a promessa de que o diálogo prosseguiria mais tarde. Não continuou. Mais de duas semanas já se passaram desde que as três pessoas da mesma família foram mortas no interior de Alfredo Wagner, pequeno município da Grande Florianópolis.

Após a reconstituição do triplo homicídio, na quinta-feira (22), a filha do casal, que morava no Rio de Janeiro, chegou ao sítio onde a família morava. Ana Paula Matthes Tuneu, 31 anos, está instalada com o marido e o filho de três anos na casa secundária da propriedade.

Ela não quis acompanhar a reconstituição do crime que vitimou sua família dias atrás, porque já convive com a dor de perder o pai Carlos Alberto Tuneu, 67 anos, a mãe Loraci Matthes, 50, e o irmão caçula Mateo Tuneu, 8. Também não quer falar sobre o crime, por uma decisão tomada junto com os outros três irmãos.

Foi Ana Paula quem buscou os corpos dos familiares em Lages, na Serra catarinense, para o enterro realizado em Marechal Cândido Rondon, no Paraná. Ela lembra do que viu na casa quando passou para buscar algumas roupas de frio, que havia deixado no sítio, onde fazia visitas anuais ao irmão, Mateo, à mãe biológica, Loraci, e a Carlos, pai que a reconheceu como filha.

Não é a cena encontrada na casa, ainda com as marcas deixadas pelo crime, que lateja na memória da Ana Paula, entretanto. A lembrança mais forte é do diálogo com o irmão, nas horas que antecederam a morte do menino: "Agora eu vou fazer a tarefa e mais tarde a gente conversa", disse o menino, que se preparava para ir à escola, em áudio encaminhado pelo WhatsApp na manhã da sexta-feira (9), dia do crime.

Ana Paula perdeu os pais e o irmão caçula
Ana Paula perdeu os pais e o irmão caçula
(Foto: )

Emocionada, Ana Paula conta que havia sonhado com a morte do irmão Mateo na quarta-feira (7), dois dias antes do triplo homicídio:

Fiquei assustada e comecei a mandar mensagens para minha mãe a todo momento: 'Como está Mateo? Ele não está doente? Ele está aí com você?' Eu perguntava.

Na tarde de quinta-feira (8), quando Ana Paula deitou para descansar da jornada noturna de trabalho, outro sonho a preocupou: dessa vez, indicava que alguém próximo havia morrido, mas não deixava claro quem era.

— Eu chamei minha mãe e contei dos sonhos. De manhã (na sexta) ela pediu pro Mateo mandar um áudio: "mana, eu estou bem. Como você está?" Eu não respondi na hora, então, ele se despediu dizendo "te amo", como sempre fazia e falou que depois a gente conversava. Mas não teve depois - Ana Paula.

Ana Paula, o filho de três anos e o irmão, Mateo
Ana Paula, o filho de três anos e o irmão, Mateo
(Foto: )

A escolha do sítio

A família se mudou para a propriedade de Alfredo Wagner há seis anos, aproximadamente, quando o filho caçula ainda era criança de colo. O casal morava em Buenos Aires na época e procurava por uma propriedade mais tranquila, segundo conta a filha Ana Paula:

— O pai tinha descoberto o Mercado Livre (site de vendas) e achou esse sítio para venda. Ele ficou encantado e foi procurar onde ficava Alfredo Wagner. Viu que era perto de Florianópolis, gostou e decidiram comprar.

Eles aumentaram a casa principal ao longo dos anos, sem pressa.

De acordo com a filha, o quarto em que o casal se instalaria ainda não está pronto, porque deveria ser "como eles queriam".

— A mãe adorava se entreter com as vacas. Até não queria dar elas no negócio que fizeram - conta rapidamente, ao se referir sobre os supostos acordos entre os pais e o suspeito pelo triplo homicídio.

A família vivia principalmente do que cultivava. Ovelhas, vacas, galinhas e plantações, mas também vendia madeira. E foi para cuidar do patrimônio e manter o sítio - cheio de animais - em dia, que Ana Paulo deixou o Rio de Janeiro.

— Mas eu vou ficar nessa casa aqui [aponta]. Na outra [onde foram mortos os familiares], eu não tenho coragem de morar - completa.

Deixe seu comentário:

Últimas notícias

Loading interface... Todas de Polícia

Colunistas