As mulheres negras representaram 62,6% das vítimas de feminicídio no Brasil entre 2021 e 2024, mostra o levantamento Retrato dos Feminicídios no Brasil, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública na última semana. Desde a criação da Lei do Feminicídio, em 2015, ao menos 13.703 mulheres foram assassinadas em razão da condição de sexo feminino no país.

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“Mulheres negras estão, em média, mais expostas a condições de vulnerabilidade socioeconômica, menor acesso a serviços públicos de proteção e maior presença em territórios marcados por precariedade institucional”, diz a pesquisa.

Ainda conforme o estudo, metade das víitimas tinha entre 30 e 49 anos. Do total, 48,7% foram mortas por arma branca e 25,2% por arma de fogo. Em relação aos autores, 59,4% são companheiros, 21,3% são ex-companheiros e 10,2% são outros familiares.

Entre 2021 e 2025, houve crescimento de 14,5% nos registros de feminicídio no país.

O levantamento foi divulgado na última quarta-feira (4), às vésperas do dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Os dados refletem a quantidade de boletins de ocorrência produzidos pelas Polícias Civis de todo o país que assumiram a tipificação de feminicídio.

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Perfil das vítimas de feminicídio no Brasil

  • 62,6% eram mulheres negras;
  • 36,8% eram brancas;
  • 50% tinham entre 30 e 49 anos;
  • 15,5% tinham 50 anos ou mais;
  • 5,1% eram menores de 18 anos.

Feminicídios crescem 4,7% em 2025

O Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, uma alta de 4,7% em relação a 2024. Entre os estados, os que registraram as maiores taxas de assassinato de mulheres foram: Acre (3,2 feminicídios por grupo de 100 mil mulheres), seguido por Rondônia (2,9) e Mato Grosso do Sul (2,7). Em sentido contrário, os estados com as menores taxas foram Amazonas (0,9), Ceará (1,0) e São Paulo (1,1).

Considerando o total de vítimas de feminicídio entre 2021-2025, o estado da região Sul que mais concentrou essas mortes foi o Rio Grande do Sul, com 38,8% dos registros. Em Santa Catarina, conforme a pesquisa, houve queda de 11,5% no número de feminicídios entre o período analisado, passando de 55 crimes em 2021 para 52 em 2025.

Em 16 unidades da federação analisadas, 13,1% das vítimas tinham Medida Protetiva de Urgência vigente no momento do crime. Na pesquisa não há dados de Santa Catarina. Os números indicam que, embora haja avanços legais ainda existem falhas na efetividade das políticas públicas, sobretudo na fiscalização e no cumprimento das medidas protetivas.

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Saiba como pedir ajuda em caso de violência

(Arte: Ben Ami Scopinho, NSC Total)