As mulheres presidem apenas cinco dos 28 partidos com diretório estadual ativo em Santa Catarina e ocupam, em média, somente 30% dos cargos de direção partidária nessas legendas. O levantamento foi feito pela reportagem do NSC Total com base nos nomes dos comandos estaduais informados pelas legendas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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Entre os 10 partidos com mais filiados de SC, nenhum deles atinge a chamada paridade de cargos, com divisão igual entre homens e mulheres nas nominatas estaduais. Quem mais chega perto disso, entre as maiores legendas, são justamente os dois partidos que rivalizam a política dos últimos anos no cenário nacional: o PT, com 48% dos cargos ativos ocupados por mulheres, e o PL, com 44%.
Atualmente, só cinco dos 28 partidos têm mulheres nos cargos de presidente em SC informados à Justiça Eleitoral. São eles: Podemos, Republicanos, PSOL, Avante e UP.
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Quando considerada toda a direção dos partidos, incluindo também cargos como tesoureiros, secretários e presidentes de alas específicas, dos 548 membros ativos informados pelas legendas, 164 eram mulheres e 384, homens. O número resulta na média de apenas de 30% de presença feminina nesses espaços decisórios das siglas.
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Entre todos os 28 partidos ativos no Estado, somente o PSOL (58%) e o PSTU (50%) têm ao menos metade dos cargos de direção partidária ocupados por mulheres.
Os partidos com maior participação feminina
Participação de mulheres nas direções estaduais dos partidos de SC
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- Psol — 58,1% (18 de 31 dirigentes)
- PSTU — 50% (2 de 4)
- PCdoB — 48,3% (14 de 29)
- PT — 48,2% (40 de 83)
- PL — 44,4% (4 de 9)
- UP — 44,4% (4 de 9)
- Podemos — 42,9% (6 de 14)
- PDT — 40% (6 de 15)
- Rede — 37,5% (3 de 8)
- PSDB — 31,3% (5 de 16)
* Em média, mulheres ocupam 29,9% dos cargos de direção nos partidos catarinenses.
Fonte: Sistema de Gerenciamento de Informações Partidárias (SGIP), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
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Partidos com presidente mulher em SC
- Podemos — Ana Paula da Silva (Paulinha), deputada estadual
- Republicanos — Carmen Zanotto, prefeita de Lages
- Psol — Alcilea Medeiros Cardoso
- Avante — Terezinha Ricardo do Nascimento
- UP — Júlia Andrade Ew
Participação feminina em discussão
O debate sobre a participação feminina na política voltou à tona após a polêmica sobre o vídeo publicado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que se queixou de ter sido maltratada ao telefone pelo enteado, o senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL). Na gravação, Michelle também afirmou ter dificuldade de viabilizar candidaturas femininas no partido.
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Michelle assumiu a presidência do PL Mulher após as eleições de 2022, com o desafio de atrair mais representantes femininas para o partido e ampliar a aceitação da legenda neste público, em que o ex-presidente Jair Bolsonaro teve dificuldade na corrida eleitoral de quatro anos atrás. Apesar de ter estruturado essa ala feminina do partido, a ex-primeira-dama criticou a dificuldade de conseguir emplacar nomes de mulheres em candidaturas do PL ao Senado nas Eleições 2026.
Além do estopim da crise entre Michelle e Flávio — a pré-candidatura ao Senado de Priscila Costa, no Ceará — a defesa de Michelle também envolveu outras candidaturas, incluindo um nome de Santa Catarina.
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— Em 2026, serão 54 vagas para o Senado Federal. Em comparação, se aplicarmos a regra dos 30% para candidaturas femininas, teríamos direito a 17 vagas para mulheres no partido. Eu pedi apenas três: Priscila Costa (CE), Carol de Toni (SC) e Bia Kicis (DF). Apenas três nomes de 17 que poderíamos ter. E tem sido uma batalha diária para manter essas três. Isso é muito desgastante — afirmou.
Escolha por indicação é barreira à presença feminina
A cientista política Camilla Soares Teixeira Camargo, mestranda em Administração pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), afirma que uma das principais razões para a menor presença de mulheres na direção dos partidos vem da dinâmica de escolha dos dirigentes dentro dessas legendas, que em geral ocorre por meio de indicações.
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Ela afirma que o fato de os partidos terem poucas mulheres nos cargos de direção reflete automaticamente em uma maior dificuldade no financiamento das campanhas femininas. Isso porque são os dirigentes partidários que decidem para onde será dedicada a maioria dos valores do Fundo Partidário e Fundo Eleitoral destinado a gastos de campanha.
— Dentro desse contexto, por mais que você ainda tenha essas cotas de candidatura e financeira, de 30% dos recursos repassados a campanhas femininas, é muito complexa a forma como esse dinheiro é distribuído, porque você tem esse orçamento, mas ele não necessariamente é suficiente para financiar as campanhas dessas mulheres — avalia.
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Para a cientista política, na prática a situação faz muitas mulheres acabarem se submetendo a orientações ou posições do partido por conta da questão financeira.
— Como elas têm mais dificuldade de ganhar espaço dentro do partido, a dialogar com os núcleos do partido, você acaba criando mais uma barreira. A cota acaba sendo “para inglês ver”, porque você acaba não conseguindo quebrar a barreira da participação feminina — afirma.
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Segundo ela, uma alternativa seria buscar mecanismos diferentes da mera indicação para formar a direção dos partidos. Cotas para indicações de diretórios seriam uma possibilidade, segundo a especialista, embora a medida por vezes estimule questionamentos sobre a legitimidade dos espaços ocupados por elas.
— É importante pensar em mecanismos para trazer as mulheres para a arena política, mostrar a importância do voto feminino e da presença das mulheres nesses espaços de poder — alerta.
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