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"Nenhum agressor é tão inofensivo que não possa matar", diz delegada sobre feminicídios em SC

Maioria das vítimas não registra boletim de ocorrência, polícia alerta para importância da denúncia

29/12/2020 - 11h06 - Atualizada em: 29/12/2020 - 11h49

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Juliana
Por Juliana Gomes
Polícia reforça importância da denúncia das vítimas
Polícia reforça importância da denúncia das vítimas
(Foto: )

Santa Catarina registrou 56 feminicídios em 2020, até essa segunda-feira (28), informou a Secretaria de Estado de Segurança Pública. Em entrevista à NSC TV, a coordenadora das Delegacias de Proteção à Mulher, Criança e Idoso (DPCAMI) Patrícia Zimmermann D'Ávila reforçou a importância da atenção aos primeiros sinais de violência e da denúncia. "Nenhum agressor é tão inofensivo que não possa matar a companheira", alerta Patrícia.  

No balanço de 2019, o Estado teve 58 feminicídios. Nessa segunda, foi preso o suspeito de matar uma jovem em Jaraguá do Sul na noite de Natal. Thalia Ferraz de 23 anos foi assassinada pelo ex-companheiro na frente da família. 

Na véspera de Natal, uma juíza no Rio de Janeiro foi morta na frente das filhas. O ex-marido é o principal suspeito, preso em flagrante. A juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, de 45 anos, foi assassinada com 16 facadas quando deixava as meninas para passarem o Natal com o pai. 

- Esses dois casos nos trazem uma situação muito importante: nenhum agressor é tão inofensivo que não possa matar a companheira. No caso de Jaraguá do Sul, houve a separação de casal, mas a proximidade física deles e comportamentos anteriores eram indicativos de periculosidade - pontuou a delegada.

- O caso da juíza do Rio de Janeiro, nos choca porque é uma mulher que lidava diuturnamente com o assunto e mesmo assim foi atraída pela fala doce do seu companheiro. Ela tinha escolta e a dispensou. São muitas as mulheres que dispensam a medida protetiva e caminham até o local do crime - explicou Patrícia. 

Suspeito de matar jovem na noite de Natal é preso em Jaraguá do Sul Juíza é assassinada na véspera de Natal no Rio de Janeiro

Para a advogada Renata Castilho, da Comissão de Combate à Violência Doméstica da OAB, a proteção às vítimas também passa pela representatividade feminina na política. 

- O pior do denuncie é o dia seguinte. Nós não temos em nossas cidades políticas públicas para as mulheres, que complementem a lei Maria da Penha. Nós também não temos muitas mulheres nas câmaras de vereadores, nas assembleias legislativas nem no Congresso Nacional - afirmou Renata.

- Eu acredito que essa é uma campanha que nós deveríamos fazer com as mulheres, precisamos delas nos espaços de poder, nos parlamentos para que possamos implantar essas políticas públicas para as mulheres efetivamente - alertou a advogada. 

São sinais de comportamento abusivo censura com relação à roupa, quanto ao ambiente que a mulher frequenta, com relação às amizades, ameaça, xingamentos, empurrão e agressão física, destaca a DPCAMI.  

A maioria das vítimas não faz boletim de ocorrência, segundo a polícia. As denúncias podem ser feitas pela delegacia virtual, no site da Polícia Civil, ou usando o whatsApp pelo 48 9 8844-0011. Outra opção é o disque-denúncia, 181. 

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