Menos de uma semana após tomarem posse na presidência e na diretoria financeira da Eletrosul, os ex-deputados federais Djalma Berger (PMDB) e Claudio Vignatti (PT) mostram desenvoltura com os números da companhia e os temas da área de energia. Mas não é em megawatts que se mede o significado da presença de ambos no principal posto federal em Santa Catarina.

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No comando da Eletrosul, Djalma e Vignatti consolidam dois acordos: um imediato, outro visando 2018. O primeiro é a garantia de apoio da bancada federal do PMDB à presidente Dilma Rousseff (PT), especialmente o senador Dário Berger (PMDB), irmão do novo presidente da estatal. O acerto foi encaminhado junto ao vice-presidente Michel Temer (PMDB).

– Os partidos quando disputam eleição, precisam ter a responsabilidade de conduzir o processo de gestão do país. Os nomes que representariam melhor, em condições técnicas e políticas, seriam o meu e do companheiro Vignatti – afirma Djalma.

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– Queremos uma base de sustentação de deputados federais que possam apoiar a presidente Dilma. Essa é a nossa primeira missão. A ocupação deste espaço da Eletrosul se deu dessa forma também – complementa, afinado, Vignatti.

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O segundo movimento, a médio prazo, é a consolidação de uma parceria entre o PMDB e o PT em Santa Catarina. Os dois partidos estão em lados opostos nas disputas pelo governo estadual desde 2003, quando os petistas se recusaram a integrar a primeira gestão de Luiz Henrique da Silveira (PMDB), eleito no ano anterior com apoio do PT no segundo turno. Isolados, os petistas ficaram em terceiro lugar nas eleições de 2006, 2010 e 2014 – foram candidatos, respectivamente, José Fritsch, Ideli Salvatti e o próprio Vignatti.

Pelos peemedebistas, a aproximação é conduzida por Dário Berger e pelo deputado federal Mauro Mariani, ambos pré-candidatos ao governo em 2018. Djalma e Vignatti desconversam sobre a possibilidade de a gestão da Eletrosul ser o laboratório de uma futura aliança.

– Não é pela nossa presença aqui que essa relação vai se formar – diz Djalma.

– Se acontecer a aliança lá na frente, tudo bem, vamos trabalhar por ela. Essa é uma decisão dos partidos – completa Vignatti.

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O acerto que levou o peemedebista e o petista ao coração da estatal foi avalizado pelas bancadas federais dos dois partidos, mas esteve ameaçado. Em abril, uma assembleia extraordinária do Conselho de Administração da Eletrosul elegeu o ex-ministro de Minas e Energia, Marcio Zimmerman, para a presidência – em meio à costura dos parlamentares para a indicação de Djalma. Filiado ao PMDB, mas sem vida partidária, Zimmermann contava com a confiança da presidente Dilma e ocupava até então o cargo de secretário-executivo do ministério.

Após 80 dias no comando, ele acabou substituído em nova assembleia extraordinária, realizada no dia 15 de julho. Funcionário de carreira da estatal, Zimmermann tirou férias. Questionado sobre o episódio, Djalma diz que ainda não entendeu os motivos que levaram a esse ruído na articulação política que resultou nos preenchimento dos cargos.

– Até agora eu não entendi, para te falar a verdade, e até mesmo a postura dele de assumir naquele momento. Mas foi importante, ele deu uma contribuição significativa pelo conhecimento que tem e ninguém questiona. A empresa agradece muito por esses 80 dias.

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