Deputado federal e presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini indicou que não pretende retomar conversas com o governador Jorginho Mello (PL) para as eleições deste ano, após ter sido preterido pela escolha do atual prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como vice na chapa. Ele foi o entrevistado do terceiro episódio do podcast Café nas Eleições, do NSC Total, publicado nesta sexta-feira (27).

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Chiodini diz que foi surpreendido com a decisão de Jorginho de compor uma “chapa pura”, o que na visão dele acabou excluindo a “política tradicional” de Santa Catarina. Ele afirma que há um ano tinha conversas com o atual governador para aproximar MDB e PL.

— O MDB, evidentemente, se sentiu preterido. (…) Após as eleições municipais, o governador Jorginho nos procurou para nós entregarmos o governo com maior participação. Salvo engano era dia 19 de janeiro do ano passado. A gente fez uma reunião virtual com a bancada e acabamos aceitando essa participação. O deputado Emerson Stein (MDB) foi para o governo, eu fui, nós promovemos um rodízio com os suplentes, até dando oportunidade também para o o deputado [Luiz Fernando] Vampiro (MDB) lá na Câmara Federal. E a gente fez um ano de caminhada praticamente. Dia 22 de janeiro, salvo engano, foi anunciado o Adriano de vice. Nós fomos comunicados que o Adriano seria o vice — contou.

O deputado vinha sendo cotado, inclusive, como vice de Jorginho para as eleições:

— Foi um sentimento de surpresa. […] E também durante um ano eu me dediquei a essa aproximação. O PL ao mesmo tempo foi o nosso maior concorrente nas eleições municipais. Muitos municípios a gente acabou perdendo para eles, os outros ganhando. Então existia, existe ainda uma mágoa do partido que eu tentei ao máximo aproximá-los.

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Segundo Chiodini, é “natural” que o MDB tenha uma candidatura majoritária — ou seja, busque cargos definidos por voto direto da maioria dos eleitores, como governador, vice ou senador.

— O que acontece com o MDB daí? Zera o velocímetro. Houve um rompimento de contrato unilateral. Então nós não somos culpados de nada, nós não somos traidores de nada. Mas inicia-se um novo caminho, onde o partido naturalmente participará da majoritária — pontuou.

O presidente do MDB afirma que o partido foi colocado “para trás da fila da espera política” e que não busca apenas espaço em um projeto político:

— O MDB quer participar de um projeto que ele é sócio, não inquilino. Que ele possa opinar, que ele possa se posicionar.

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Presença de Carlos Bolsonaro mudou o jogo

Na visão de Chiodini, a pré-candidatura de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado mudou o tabuleiro político no Estado. Ele vê o filho de Jair Bolsonaro (PL) como uma “peça muito pesada”, que acabou criando um constrangimento no governador

— Acho que tudo começa com essa vinda do ex-vereador Carlos Bolsonaro para concorrer a senador em Santa Catarina, acho que isso aí acabou mudando o desenho todo. Porque ele é uma peça que não pode dizer não. Ele é uma peça que gera um certo constrangimento, eu acho, para o governador Jorginho, porque você é presidente do partido, você é governador do Estado, ele é a maior autoridade aqui em Santa Catarina. Tem um governo até bem avaliado pelo catarinense. Mas tem dentro do partido dele uma liderança política que tá maior que ele, que veio importada do Rio de Janeiro — disse.

A presença do ex-vereador do Rio de Janeiro acabou gerando um “mal-estar” na política catarinense:

— Essa vaga gerou a confusão toda. Gerou a revolta do PL em forçar a Caroline [de Toni, na corrida ao Senado], gerou a exclusão do Esperidião Amin [do PP], devoto parceiro da causa política ora defendida, e também do MDB. O tabuleiro político funciona assim, é tipo um xadrez, e essa é uma peça muito pesada que acabou realinhando os planetas aqui para as próximas eleições.

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Adesão aos projetos que se desenham

O presidente do MDB confirmou diálogos com lideranças de outros partidos, como o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, e o ex-governador Raimundo Colombo, ambos atualmente no PSD.

— Ou uma candidatura própria ou uma candidatura majoritária representativa num projeto que possa ser capitaneado pelo João Rodrigues ou por alguma outra liderança que representa esse grupo. Confesso que a gente conversou com o ex-governador Raimundo Colombo — alegou.

Apesar das conversas, ele afirma que o MDB não deve se antecipar na definição:

— Mas volto a dizer que o MDB agora não vai ser o primeiro a aderir, como foi antes. Nós temos que ver a solidificação desse projeto para a gente aderi-lo.

Dentro das articulações, Chiodini classificou Colombo como uma peça estratégica para diferentes cenários:

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— Eu acho que o Raimundo é um coringa importante na situação. Ele cabe para qualquer função, tem popularidade em Santa Catarina.

Sobre a possibilidade de composição com Gelson Merisio, que deve concorrer na chapa com o PT, Chiodini foi direto ao afirmar que o MDB não deve integrar esse projeto:

— Eu respeito a candidatura do Gelson Merisio […] mas acho muito difícil a gente fazer essa composição, não tem ressonância na nossa base, não é o que o nosso povo entende como o melhor caminho.

Confira a entrevista na íntegra