O cultivo e a venda de moluscos como mariscos, mexilhões e ostras está proibido em Penha devido a presença de uma toxina prejudicial à saude humana, conhecida como “alga da diarreia”. A interdição foi feita pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), e segue sem data para liberação.

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Uma coleta realizada na última quarta-feira (29), e apresentou uma quantidade de ficotoxina ácido ocadaico muito acima do limite estabelecido na legislação. Segundo a Cidasc, a toxina pode causar problemas gastrointestinais em quem consome os moluscos, porém não apresenta risco para os animais aquáticos.

A área interditada abrange principalmente a Armação do Itapocorói, e será liberada novamente quando as equipes detectarem dois resultados negativos consecutivos para a microalga. As amostras devem ser colhidas nessa segunda (4) e quarta-feira (6), e os resultados divulgados até o fim da semana.

Quantidade de toxina está cinco vezes maior do que o permitido

De acordo com o presidente da Associação de Maricultores de Penha, e coordenador da área de maricultura no curso de Oceanografia da Escola Politécnica da Univali (Universidade do Vale do Itajaí), Gilberto Manzoni, a quantidade de toxina encontrada nos moluscos do município é cinco vezes além do permitido.

— As ficotoxinas são as algas produtores de toxinas nos moluscos cultivados. No teste (Penha) apresentou uma presença elevada de ácido ocadaico, que é a toxina que se ingerida pelo ser humano, provoca a diarreia. A concentração está cinco vezes maior do que o permitido — explica.

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Segundo Manzoni, a interdição, embora gere impacto econômico aos produtores, faz parte do processo qualificação das áreas de cultivo e na garantia da segurança dos produtos ao consumidor.

— Penha tem um destaque como área mais produtiva em Santa Catarina. Aqui tem um número menor de produtores, mas tem uma boa capacidade produtiva, em torno de 50 à 60 toneladas por ano. Então, o impacto na economia é bastante forte também, mas faz parte. O fundamental é garantir a sustentabilidade da atividade, a segurança do consumidor também, para evitar esses problemas — destaca.

Presença da alga é imprevisível

De acordo com Gilberto, a presença das microalgas produtoras das ficotoxina nos moluscos cultivados é imprevisível, por isso os testes de detecção e controle são fundamentais para garantir a qualidade e segurança dos produtos cultivados e comercializados.

— É um processo natural, ele não é muito previsível. Dá para se ter uma ideia de fatores que influenciam, mas o monitoramento é que demonstra a presença desses organismos, não só na água, mas principalmente na carne dos moluscos cultivados —conclui.

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